Aos 77 anos, Ken Loach não rejeita a possibilidade de se reformar em breve. O realizador inglês está a terminar o seu mais recente filme, «Jimmy's Hall», que poderá mesmo vir a ser o último da sua longa carreira.

No festival de cinema de Berlim, onde recebeu um Urso de Ouro honorário na quinta-feira, Loach abordou a questão: «Vamos ver o que acontece».

Segundo a BBC News, o cineasta explicou que realizar um filme requer uma «resistência física» que começa a faltar «quando nos encaminhamos para a metade má dos setentas».

Porém, Loach admitiu que fazer filmes «é um privilégio difícil de abdicar».

Na 64ª Berlinale, Ken Loach foi homenageado pela sua dedicação ao cinema ao longo de mais de meio século. O Urso de Ouro honorário foi entregue pelo trabalho em filmes como «Kes», de 1969, ou «Chuva de Pedras», de 1993, este último exibido em Berlim como parte do tributo ao realizador.



Loach assinou várias curtas e longas-metragens sobre as classes menos privilegiadas do Reino Unido e Irlanda, mostrando aos seus e ao mundo algumas realidades normalmente com pouca visibilidade no cinema.

«Brisa de Mudança» (2006), «Sweet Sixteen» (2002) e o «Meu Nome É Joe» são outros dos títulos realizados por Ken Loach nas últimas décadas.

O seu filme de maior sucesso nas bilheteiras foi «O Meu Amigo Eric», história sobre um carteiro em dificuldades que recebe ajuda do seu ídolo, a antiga estrela do futebol Éric Cantona.



Em agosto do ano passado, a produtora de longa data de Loach, Rebecca O'Brien, disse ao site Screen Daily que «Jimmy's Hall» seria provavelmente o último filme de ficção do realizador devido à sua idade.

«Realisticamente, ficaria muito surpreendida se fizéssemos outro filme depois deste», confessou O'Brien.

«Jimmy's Hall» tem estreia marcada no Reino Unido para maio e é uma história verídica sobre o líder comunista irlandês, e ativista político, James Gralton, o único homem nascido na Irlanda a ter sido deportado do seu próprio país, em 1933.