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Sylvia Kristel, a eterna Emmanuelle, morre aos 60 anos

Sylvia Kristel, a eterna Emmanuelle, morre aos 60 anos

Quebou os tabus do sexo em 1974 ao protagonizar o primeiro filme erótico a ter lugar nos cinemas tradicionais. Faleceu esta noite vítima de cancro


Rita Leça  /   2012-10-18

«Morreu esta noite durante o sono». Sylvia Kristel, a eterna Emmanuelle, faleceu esta quinta-feira, vítima de cancro. A notícia foi dada pela sua agente, Marieke Verharen, à AFP, sem especificar se a atriz estava em casa ou no hospital. Tinha 60 anos.

A saúde de Sylvia Kristel era frágil. Em julho último foi hospitalizada devido a um acidente vascular cerebral (AVC). Antes, venceu um cancro na garganta, tendo passado depois para um pulmão, diagnosticado há dez anos.

Há muito afastada do cinema, a atriz holandesa será eternamente recordada como Emmanuelle, a protagonista do filme erótico francês com o mesmo nome, onde deu corpo a uma dona de casa promiscua, decidida a desafiar os limites da sua sexualidade. Com apenas 22 anos, Sylvia Kristel pôs em causa os tabus de uma sociedade onde o sexo e a nudez ainda eram censurados.

Estreado em 1974, Emmanuelle, realizado pelo fotógrafo de moda Just Jaeckin, foi o primeiro filme a ser exibido nos cinemas tradicionais. Nos Campos Elísios, ficou em exibição durante 11 anos e foi visto por 12 milhões de franceses. Em todo o mundo, foram 350 milhões as pessoas que viram o filme.

O filme rendeu milhões de euros em bilheteira, mas de pouco serviu a Kristel, em termos financeiros, já que cedeu os seus direitos nas receitas por uma quantia irrisória.

Depois do clássico, seguiram-se as sequelas: Emmanuelle, a Antivirgem, de Francis Giacobetti e Francis Leroi (1975) e Goodbye Emmanuelle, de François Leterrier (1977), este último com música de Serge Gainsbourg.

Décadas mais tarde, a atriz explicou, numa entrevista, que, naquela altura, andava na rua com óculos escuros, sem olhar para ninguém, pois acreditava que, assim, ninguém olharia para ela. «Hoje sei que isso era ridículo. Mas, na altura, eu acreditava mesmo nisso», contou, a rir.

Mas nem só de cinema erótico foi feita a vida profissional de Sylvia Kristel. Entrou também em filmes de Claude Chabrol, Roger Vadim e Alain Robbe-Grillet. Isto enquanto, por todo o mundo, surgiam imitações ou inspirações da «sua» Emmanuelle.

Mas nunca houve Emmanuelle como a de Kristel, suspiram os críticos de cinema.

Em 2006, a holandesa, nascida em Utrecht, lança a sua autobiografia «Nua», editada em Portugal pela Ambar, onde fala sobre o luxo e convivência com as estrelas de cinema da época. A fama quando ainda era jovem e as suas consequências são o tema central do livro, onde a atriz relata também os seus vários casamentos e a exploração de que foi vítima.

A vida de excessos, recheada de álcool e cocaína, culmina em anos de tranquilidade, longe dos luxos de outrora, em Amesterdão, até à sua partida, nesta noite, enquanto dormia.


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