«Se Eu Fosse Ladrão... Roubava», o último filme do realizador Paulo Rocha, falecido há um ano, será exibido em antestreia em janeiro na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, escreve a agência Lusa.

O Museu do Cinema revelou que a derradeira longa-metragem de Paulo Rocha será exibida a 31 de janeiro, estando ainda previsto, para o primeiro trimestre de 2014, um ciclo integral da obra do realizador, a estreia comercial do filme e a reposição em sala das versões restauradas de «Os Verdes Anos» (1963) e «Mudar de Vida» (1966).

Paulo Rocha morreu aos 77 anos, a 29 de dezembro de 2013, deixando completo «Se Eu Fosse Ladrão... Roubava», exibido em agosto em antestreia mundial no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, onde foi homenageado.

Paulo Rocha deixou, em testamento, toda a sua obra e património cinematográfico à Cinemateca.

Quando o filme passou em Locarno, o subdiretor da Cinemateca, José Manuel Costa, afirmou à agência Lusa que o filme tem uma «característica testamental, mas não se fica por aí. Não tem nada de nostálgico. Ele volta atrás, às memórias da família dele, do pai, mas é também um filme sobre o país, sobre a cultura, sobre a identidade».

O encenador Jorge Silva Melo, que assinou um texto sobre o filme, disse à Lusa que «Se Eu Fosse Ladrão... Roubava» é «extremamente comovente, doloroso, feito à beira da morte, magistralmente filmado. É uma imensa despedida, mas não é com arrependimento. É uma despedida com vitalidade».

O filme, que conta no elenco com atores como Luís Miguel Cintra, Isabel Ruth e Márcia Breia, articula uma ficção baseada nas memórias da vida do pai de Paulo Rocha, com imagens que o realizador retirou de vários filmes seus, dando-lhes uma nova interpretação.

Paulo Rocha estudou Direito em Lisboa e Cinema em França, foi assistente de realização de Jean Renoir e de Manoel de Oliveira e assinou filmes como «Verdes Anos» (1963), «Mudar de Vida» (1966), «A Ilha dos Amores» (1982), «O Desejado» (1988), «O Rio do Ouro» (1998), «A Raiz do Coração» (2000) e «Vanitas» (2004).

Há um mês, a 29 de novembro, cumpriram-se os cinquenta anos da estreia de «Os Verdes Anos», considerado o marco do começo no Novo Cinema Português.