O Ministério Público polaco enviou um pedido, a um tribunal regional de Cracóvia, de extradição do realizador Roman Polanski para os Estados Unidos, pela prática do crime de abuso sexual de uma menor em 1977.
 

«O seguimento deste caso dependerá do tribunal», afirmou o gabinete do Ministério Público em comunicado.

Caberá à justiça de Cracóvia, onde atualmente reside o cineasta, a análise do pedido e, no caso de ser aceite, a decisão final sobre o futuro do realizador de «O Pianista» virá do ministro da pasta da Justiça daquele país.
 
Esta quinta-feira, o realizador francês naturalizado polaco mostrou-se disposto a cooperar com as autoridades a este propósito. Afirmou ainda que se irá submeter de livre vontade ao processo de extradição e que tem «confiança no sistema de justiça da Polónia».

Polanski cumpriu 42 dias de prisão após confessar ter violado Samantha Geimer, na altura com 13 anos, depois de ter consumido álcool e drogas numa sessão fotográfica em Santa Mónica, perto de Los Angeles.

Acreditando que o tribunal voltaria atrás no acordo, deixou os Estados Unidos e desde então tem circulado apenas entre França, Suíça e Polónia, países sem acordos de extradição, dado que a Interpol avançou com uma ordem de prisão em vigor em 188 países.

Em 2009 foi detido em Zurique devido ao pedido dos Estados Unidos e ficou em prisão domiciliária, mas acabou por ser libertado em 2010 após as autoridades suíças decidirem não o extraditar.

Em outubro, a justiça de Cracóvia recusou o pedido dos Estados Unidos para a detenção do cineasta de 81 anos, mas interrogaram-no e ordenaram que comparecesse em tribunal sempre que fosse intimado.

Atualmente, Polanski está a trabalhar  num filme sobre o «Caso Dreyfus», escândalo político que abalou a nação francesa no século XIX.