A Cinemateca Portuguesa vai dedicar o mês de março a Fernando Lopes e Paulo Rocha, cruzando retrospetivas dos dois realizadores «que abriram o caminho do Cinema Novo Português nos anos 1960».

De acordo com a programação de março, o ciclo tem por título «Paulo Rocha e Fernando Lopes, uma espécie de gémeos diferentes» e pretende colocar em diálogo os filmes dos dois cineastas «seminais do cinema português contemporâneo», nascidos em 1935 e falecidos em 2012.

As duas retrospetivas abrirão a 7 de março com a ficção «Os Verdes Anos» (1963), primeiro filme de Paulo Rocha, e o documentário «Belarmino» (1964), estreia de Fernando Lopes, ambos produzidos por António da Cunha Telles.





São considerados dois filmes iniciais de um movimento no cinema português, à época com realizadores em início de carreira e com um perspetiva diferente do que era a prática cinematográfica durante o Estado Novo.

A Cinemateca considera que este ciclo é uma atualização das retrospetivas realizadas em 1996, ano em que se assinalou também o centenário do surgimento do cinema em Portugal.

De Paulo Rocha serão exibidos agora 17 filmes, com exceção de «Se Eu Fosse Ladrão... Roubava», o derradeiro do realizador, exibido na Cinemateca em janeiro, que deverá estrear-se ainda na primavera na abertura do Cinema Ideal, em Lisboa, em data a anunciar.

«A sua obra compõe um olhar de conjunto sobre a "portugallidade", a partir de uma série de encontros e de choques: entre o país urbano e o país rural, ou entre a modernidade cultural e as tradições populares, por vezes em diálogo com as formas e expressões culturais exógenas», refere a Cinemateca.

De Paulo Rocha serão exibidos «Mudar de Vida» (1966), «A Ilha dos Amores» (1985), já influenciado pelo período em que o realizador foi adido cultural no Japão, «Portugaru-san, o Senhor Portugal em Tokushima» (1995) ou «Vanitas» (2004).

De Fernando Lopes, a retrospetiva conta com mais de trinta filmes, entre ficção, documentário e pequenos filmes publicitários e promocionais.

O ciclo inclui várias adaptações literárias ao cinema, como «Uma Abelha na Chuva», de Carlos Oliveira, «Crónica dos Bons Malandros», de Mário Zambujal, e «O Delfim», de José Cardoso Pires, e os registos documentais «O Meu Amigo Mike ao Trabalho», sobre o pintor Michael Biberstein, «Lissabon Wuppertal Lisbooa», sobre a residência lisboeta da companhia de dança de Pina Bausch, e «Gérard, o Fotógrafo», sobre Gérard Castello-Lopes.

Serão ainda exibidos filmes em que Fernando Lopes participou como ator: «The Lovebirds», de Bruno de Almeida, e «A Felicidade», de Jorge Silva Melo, assim como o documentário que lhe é dedicado, «Fernando Lopes, Provavelmente», do crítico de cinema João Lopes.