O novo filme de Miguel Gomes, curta-metragem intitulada «Redemption», é uma ficção sobre os políticos Pedro Passos Coelho, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy e Silvio Berlusconi com estreia prevista em Portugal para finais de outubro, escreve a agência Lusa.

A curta-metragem com cerca de meia hora foi exibida no sábado fora de competição na 70ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, numa sessão realizada de manhã para jornalistas e para a indústria do setor, e à tarde em sessão oficial do certame.

Do filme tinha sido apenas divulgada uma pequena sinopse pela produtora O Som e a Fúria que falava em quatro personagens a viver em diferentes lugares e momentos na Europa - uma criança em Portugal, em 1975, uma noiva na Alemanha, em 1977, um idoso na Itália, em 2011, e um pai na França - todos em busca da redenção.

«Nós optámos por uma estratégia, e resolvemos não divulgar um dado muito importante sobre o filme: quem são as personagens. O filme já foi exibido hoje, portanto já não podemos esconder que os quatro personagens são Pedro Passos Coelho, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy e Silvio Berlusconi», revelou o realizador à Lusa numa conversa telefónica.

Miguel Gomes descreveu a curta-metragem como uma ficção sobre a intimidade destes políticos, personagens que com monólogos ao longo do filme, mas cuja identidade só é revelada no final.

«Nós vemos uma ficção a partir deles, vemo-los numa intimidade ficcionada, porque não os conheço pessoalmente», apontou o realizador nascido em Lisboa, em 1972, que assinou o filme «Tabu» (2012), premiado em vários festivais de cinema, nomeadamente na Alemanha, Espanha, Bélgica e Croácia.

Miguel Gomes satisfeito com a receção no festival de Veneza

Nas palavras de Miguel Gomes, os quatro políticos «estão presos afetivamente a qualquer coisa do seu passado. Estão melancólicos por algo que se passou na vida deles e à qual estão agarrados, procurando a redenção».

«O filme vive da tensão entre aquilo que sabemos e pensamos dessas pessoas, como figuras públicas, e aquilo que o filme inventa como hipótese para a sua intimidade», apontou, acrescentando que tentou «criar histórias que são muito simples, com um lado quase universal, porque poderiam acontecer a qualquer um de nós».

Em declarações à Lusa também a partir de Veneza, o produtor de O Som e a Fúria, Luís Urbano, indicou que a curta-metragem deverá estrear em sala, em Portugal, no final de outubro, início de novembro, em conjunto com outro filme.

Esse filme será o documentário «Terra de Ninguém» (2012), de Salomé Lamas, estreado em Berlim, este ano, «que também tem um lado de redenção no personagem em causa, um mercenário português que já faleceu, e fez a guerra de África».

«Gostava de colocar a curta-metragem o mais breve possível no circuito de salas em Portugal, apesar de ser um formato que não entra muito, mas vamos tentar remar contra a maré criando este programa de dois filmes para o público», disse Luís Urbano.