Os prémios Sophia 2014, que serão atribuídos na quarta-feira, ainda refletirão as dificuldades de produção de cinema, mas há «uma movimentação interessante mínima», afirmou à agência Lusa o presidente da Academia Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso.

Nas vésperas da terceira edição dos Prémios Sophia, criados pela Academia Portuguesa de Cinema para distinguir os protagonistas do cinema nacional, Paulo Trancoso afirmou que aquela organização acompanha os percalços do panorama cinematográfico português desde a criação, em 2011.

Nos últimos três anos, os apoios financeiros foram suspensos – e retomados este ano -, algumas produtoras faliram, outras procuraram investimento estrangeiro, o cinema português somou prémios internacionais e foi aprovada uma nova lei. «É fantástico como é que o cinema português sobreviveu no meio desta situação», disse Paulo Trancoso.

Neste período de crise, surgiu a Academia Portuguesa de Cinema, atualmente com cerca de 150 membros e que conta com os prémios Sophia como uma das iniciativas de maior visibilidade.

«Acho que mesmo assim [num momento de crise], o balanço acaba por ser interessante, porque nestes três anos não só houve uma distinção em várias categorias. Durante três anos premiámos carreiras. É importante lembrar e agradecer. Só por essa ação já se deve pensar que é importante a Academia ter aparecido», opinou.

Paulo Trancoso, produtor de cinema, alertou que é preciso «uma ação concertada» para que haja mais cinema português e que este seja visto por mais espetadores: é necessária uma nova lei do mecenato, para que as empresas invistam mais no cinema português; é preciso um circuito de distribuição cinematográfica «mais interessante», alternativo à hegemonia das grandes distribuidoras; e as televisões, em particular a RTP, têm de cumprir as suas obrigações legais perante a produção de cinema.

A terminar três anos de mandato à frente da Academia – e sem revelar se voltará a candidatar-se –, Paulo Trancoso acredita na longevidade da organização.

«A Academia tem detratores por todos os lados, mas isso não quer dizer que não haja um grupo, somos pelo menos 150. A Academia mostrou que é possível fazer, que é possível dar prémios, é possível haver um grande grupo de profissionais que tem vontade que exista a Academia e que exista atividade associativa ligada ao cinema», afirmou.

Além da atribuição dos prémios Sophia, a Academia Portuguesa de Cinema tem intensificado contactos para a promoção do cinema fora de portas, nomeadamente no universo ibero-americano, e é responsável pela escolha do candidato português ao Óscar de melhor filme estrangeiro.

A Academia, que deverá realizar ainda este ano eleições para escolher nova direção, pretende ainda editar uma coleção de filmes portugueses, recuperando títulos raros ou que dificilmente se encontram nas lojas.

Lista dos nomeados

Melhor Filme:
«A última vez que vi Macau» - BlackMaria.
«Até amanhã camaradas» – MGN Filmes.
«Comboio noturno para Lisboa» – Cinemate.
«É o amor» – Curtas-Metragens, CRL e MIDAS Filmes.
«Quarta divisão» – MGN Filmes.

Melhor Realizador:
Joaquim Leitão – «Até Amanhã Camaradas»
Joaquim Leitão – «Quarta Divisão»
João Canijo – «É o Amor»
João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata – «A Última Vez que Vi Macau»

Melhor Atriz Principal:
Carla Chambel – «Quarta Divisão»
Leonor Seixas – «Até Amanhã Camaradas»
Maria João Bastos – «Bairro»
Rita Durão – «Em Segunda Mão»

Melhor Ator Principal:
Cândido Ferreira – «Até Amanha Camaradas»
Gonçalo Waddington – «Até Amanhã Camaradas»
João Lagarto – «Bairro»
Pedro Hestnes – «Em Segunda Mão»

Melhor Atriz Secundária:
Beatriz Batarda – «Comboio Noturno para Lisboa»
Carla Chambel – «Até Amanhã Camaradas»
Joana de Verona – «Em Segunda Mão»
Julie Sergeant – «Bairro»

Melhor Ator Secundário:
Adriano Carvalho – «Até Amanhã Camaradas»
Adriano Luz – «Até Amanhã Camaradas»
Adriano Luz – «Comboio Noturno para Lisboa»
Afonso Pimentel – «Bairro»
Carloto Cotta – «Bairro»
Marco D'Almeida – «Comboio Noturno para Lisboa»

Melhor Argumento Original:
António Pedro Figueiredo, Catarina Ruivo – «Em Segunda Mão»
Leonardo António – «O Frágil Som do Meu Motor»
João Canijo e Anabela Moreira – «É o Amor»
João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata – «A Última Vez que Vi Macau»

Melhor Direção Artística:

Augusto Mayer – «Comboio Noturno para Lisboa»
Isabel Branco e Paula Szabo – «Em Segunda Mão»
João Martins – «Até Amanhã Camaradas»
João Rui Guerra da Mata – «A Última Vez que Vi Macau»

Melhor Guarda-Roupa:
Ana Simão – «Em Segunda Mão»
Maria Gonzaga e Maria Amaral – «Até Amanhã Camaradas»
Silvia Grabovwsky – «7 Pecados Rurais»
Teresa Alves – «Bairro»

Melhor Som:
Carlos Alberto Lopes e Branko Neskov – «Até Amanhã Camaradas»
Carlos Alberto Lopes, Branko Neskov (C.A.S), Elsa Ferreira e Pedro Melo - «Quarta Divisão»
Pedro Vieira, Pedro Melo, Filipe Sambado, Ricardo Leal, Amélia Sarmento, Luís Bicudo e Paulo Abelho, João Eleutério – «O Frágil Som do Meu Motor»
Vasco Pedroso e Branko Neskov – «RPG»

Melhor Caracterização:
Abigail Machado – «A Republica di Mininus»
Rute Alves – «RPG»
Cláudia Ferreira, João Rapaz, Sara Menitra e Helena Baptista – «O Frágil Som do Meu Motor»
Magali Santana – «7 Pecados Rurais»
Sano de Perpessac – «Comboio Noturno para Lisboa»
Sano de Perpessac – «Em Segunda Mão»
Susana Correia e Ana Ferreira – »Até Amanhã Camaradas»

Melhor Música:
Rodrigo Leão – «O Frágil Som do Meu Motor»
João Marco – «Além de ti»
As Mercenárias, Mentis afro (Boss) e Primeiro G – «Um Fim do Mundo»
Luís Cília – «Até Amanhã Camaradas»

Melhor Montagem:
Pedro Ribeiro – «Até Amanhã Camaradas»
Pedro Ribeiro – «Quarta Divisão»
João Braz – «É o Amor»
Miguel Costa, Gonçalo Frederico, Paulo Pinto - «Bairro»
João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata – «A Última Vez que Vi Macau»

Melhor Direcção de Fotografia:
Carlos Lopes (A.I.P) – «Quarta Divisão»
José António Loureiro – «Até Amanhã Camaradas»
Mário Castanheira e Tiago Carvalho – «É o Amor»
Rui Poças – «A Última Vez que Vi Macau»

Melhor Curta-Metragem de Ficção:
«Longe do Éden» – Carlos Amaral
«Lápis Azul» – Rafael Antunes
«Gambozinos» – João Nicolau
«Luminita» – André Marques

Melhor Documentário em Longa-Metragem:
«Ophiussa - Uma Cidade de Fernando Pessoa» - Fernando Carrilho
«Terra de Ninguém» - Salomé Lamas
«A Batalha de Tabatô» - João Viana

Melhor Documentário em Curta-Metragem:
«Almas Censuradas" – Bruno Ganhão
«A Máquina» – Mafalda Marques
«Lápis Azul» – Rafael Antunes
«Casa Manuel Vieira» – Júlio Alves
«Fontelonga» – Luís Costa

Melhor Curta-Metragem de Animação:
«Carrotrope» – Paulo D’Alva
"Outro Homem Qualquer" – Luís Soares
«Ptolmus» – Josemaria RRA
«Alda» – Luís Catalo, Ana Cardoso, Filipe Fonseca, Liliana Sobreiro
«Brincar» – Coletivo Fotograma 24 e Coletivo de Crianças, jovens e idosos de Guimarães