Os números são, no mínimo, impressionantes: oficialmente são 160 pessoas abatidas, mas é provável que o número real ronde as 255. As contas referem-se aos indivíduos executados por Chris Kyle, aquele que é considerado o atirador mais eficaz da história militar dos Estados Unidos e que é retratado agora no cinema, no filme de Clint Eastwood «Sniper Americano».

Para as forças norte-americanas, o atirador dos SEAL foi um herói. Recebeu várias condecorações de relevo ao longo da carreira, incluindo estrelas de bronze e de prata. Já para os dissidentes da guerra do Iraque, na qual Kyle combateu, o sniper era o «Diabo de Ramadi» e a sua cabeça valia cerca de 80 mil dólares (quase 70 mil euros).

No Iraque, foi alvejado por duas vezes e ferido em seis explosões. Mas nenhum elemento inimigo conseguiu deter a precisão e a eficácia deste atirador de elite, conhecido por conseguir acertar no alvo mesmo a grandes distâncias. Aliás, o sniper, que morreu em 2013, só não conseguiu sobreviver às balas de um colega veterano, num tiroteio ocorrido no Texas.

O tiro certeiro mais longo que terá efetuado, segundo o que o próprio escreveu no livro autobiográfico «Sniper Americano», que deu mote ao filme, foi num alvo a mais de 1900 metros.

Natural do Texas, orgulhosamente nacionalista, até chegou a afirmar que gostava de ter morto mais gente, não pelo ato de matar em si, mas pelo facto de acreditar que isso permitia salvar outras vidas. De resto, o seu pragmatismo terá contribuído para a eficácia nunca antes registada na história militar norte-americana.



O filme sobre o marine que agora chega às salas de cinema bateu recordes de bilheteira no fim de semana de estreia nos Estados Unidos, tornando-se na estreia de janeiro mais bem sucedida de sempre. Mas, mais do que isso, o filme tem dado muito que falar e já está a gerar alguma controvérsia. A pergunta que se impõe é: Kyle é, afinal, um herói ou um cobarde e assassino profissional?

Michael Moore, autor de documentários como «Bowling for Columbine», foi dos primeiros a opinar sobre o tema, afirmando, no Twitter, que os snipers não são heróis e que, no filme, os iraquianos são chamados de «selvagens». 
 

Moore foi mais longe: «Invadir um país que não nos atacou é ilegal e imoral. A história vai julgar-nos», escreveu na rede social.
Comentários que já mereceram uma resposta. O republicano que já foi Presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich afirmou, também no mesmo microblog, que Michael Moore devia passar alguns dias com o Estado Islâmico ou o Boko Haram para poder apreciar o filme. «Estou orgulhoso dos que nos defendem», acrescentou.
 
Também o ator Seth Rogen decidiu juntar-se à discussão. Rogen escreveu que o filme lhe fazia lembrar uma das partes de «Sacanas Sem Lei», de Quentin Tarantino, numa referência à propaganda nazi que é retratada neste filme.

   
A polémica está instalada. 

Entretanto, o pai do falecido sniper, Wayne Kyle , fez uma revelação surpreendente, numa entrevista ao «Daily Mail». Wayne deixou um aviso a Clint Eastwood quando este o contactou e lhe disse que pretendia fazer um filme sobre a vida do filho.

«Desrespeitas o meu filho e eu faço a tua vida num inferno.»


O filme tem Bradley Cooper na pele de Chris Kyle e está nomeado para o Óscar de Melhor Filme e o de Melhor Ator Principal. Em Portugal, chega às salas de cinema esta quinta-feira.