O realizador Manoel de Oliveira disse, esta quarta-feira, dia do seu 105º aniversário, ainda não haver financiamento garantido para o novo filme, «O Velho do Restelo», mas acrescentou que tal parece estar bem encaminhado.

Em declarações aos jornalistas depois da inauguração da exposição «Manoel de Oliveira - 105 Revistas» no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, o cineasta disse que «ainda não há dinheiro, mas parece que a coisa está em bom caminho».

«"O Velho do Restelo" é sobretudo um bom aviso e nós estamos já nessa situação do Velho do Restelo», disse Manoel de Oliveira, acompanhado pela família.

O realizador acrescentou que a melhor prenda que podia receber é «o reconhecimento de um trabalho antigo, que vem de 1930 até hoje», algo por que fica «sempre grato».

Manoel de Oliveira repetiu ainda uma ideia que tem vindo a sublinhar ao longo dos anos, afirmando que tenciona continuar a filmar: «A vontade é muito grande, as possibilidades são muito fracas».

Em novembro, interrogado sobre os 105 anos, o mais velho realizador de cinema em atividade afirmou que o financiamento do seu novo filme seria «uma forma de comemorar o aniversário», mas acreditava que «o aniversário de certeza que ainda vem antes».

Da parte da Câmara Municipal do Porto, o vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva, classificou Oliveira como «um dos mais fulgurantes artistas» e realçou que é o realizador de «Aniki Bóbó» quem deverá dar uma prenda ao continuar a sua atividade cinematográfica.

A exposição inaugurada esta quarta-feira, patente até 10 de março de 2014 no Museu Nacional de Imprensa, conta com várias revistas portuguesas e publicações francesas, como «Cahiers du Cinéma», «Beaux Arts», «L'Avant Scène Cinéma» ou «L'Acchiappa Film», que incluem trabalhos sobre o realizador.

Ao final do dia, o realizador deverá marcar presença no lançamento de uma peça de porcelana da Vista Alegre que integrará a coleção «1+1=1».