A longa-metragem de animação «A ovelha Choné», dos realizadores britânicos Mark Burton e Richard Starzack, contou com a participação da animadora portuguesa Rita Sampaio, há cinco anos a trabalhar nos estúdios Aardman, em Bristol.

O filme só será estreado nos cinemas portugueses em setembro, mas vai ter uma antestreia na quarta-feira, em Lisboa, com a presença dos realizadores, no âmbito do Monstra - Festival de Animação de Lisboa.




Rita Sampaio, 37 anos, não vai estar em Lisboa para a exibição, mas tem o nome inscrito na ficha técnica como «animadora junior» da equipa dos estúdios Aardman, dos quais saiu a mais recente produção de cinema de animação em volumes, com a técnica stop motion.

Estes cinco anos de trabalho em Bristol têm sido «uma experiência fantástica», vivendo por dentro o trabalho de um estúdio de animação, disse a artista à agência Lusa, numa altura em que está envolvida numa nova temporada televisiva de «Ovelha Choné».

Rita Sampaio nasceu em Lisboa, estudou cenografia na Escola Superior de Teatro e Cinema, especializou-se em animação de volumes e decidiu rumar ao Reino Unido para aprofundar conhecimentos na área.

Já tinha trabalhado em alguns projetos portugueses, como a série «As coisas lá de casa», de José Miguel Ribeiro, mas sabia «das dificuldades em Portugal no que toca ao cinema de animação». «Sabia que tinha de sair», disse à Lusa.

Em 2010, já em Bristol, Rita Sampaio soube que os estúdios Aardman estavam à procura de profissionais para a concretização de uma longa-metragem, na altura a comédia «Os Piratas!», que só se estrearia em 2012. «Foi um golpe de sorte», recorda. E foi aí que começou.

Desde então, Rita Sampaio tem progredido na carreira e na especialização em animação. Para «A ovelha Choné» coordenou uma das várias equipas de animadores.

Protagonizada por uma pequena ovelha, esperta e perspicaz, de um pequeno rebanho numa quinta britânica, a animação «A ovelha choné» recorre a bonecos de plasticina que são moldados e fotografados de modo a dar a ilusão de movimento. Para uma longa-metragem, são necessários milhares de movimentos e fotografias.

Apesar da concretização de um filme de animação ser moroso, Rita Sampaio diz que «não é nem mais nem menos tempo» do que outras coisas.

«Cada animador tem o seu pequeno estúdio de trabalho - há vários, nos estúdios Aardman - e costumo dizer que onde estou é o 'quarto em câmara lenta'. Animar é uma linguagem diferente, tem um tempo próprio», disse.


Até maio, Rita Sampaio estará envolvida na quinta série televisiva «A ovelha Choné», um sucesso internacional desde 2007, que chegou a mais de uma centena de países, com curtos episódios de humor para crianças.

Tal como as séries, também o filme não tem qualquer diálogo e toda a ação sustenta-se na imagem e na expressividade das personagens. É aí, talvez, que reside o segredo do sucesso, diz Rita Sampaio. Tem personagens que resultam por serem expressivas e compreendidas por todos.

Rita Sampaio não pensa, para já, regressar a Portugal nem autonomizar-se na realização de cinema de animação. «A animação é uma arte conjunta e a área onde eu sou mais forte é na animação. Este mundo tem muita especificidade», afirmou.

Dos estúdios Aardman, criados em 1972 em Bristol, já nasceram séries de televisão e várias longas-metragens, entre as quais «Fuga das galinhas» (2000), «Wallace & Gromit: A maldição do coelhomem» (2005) e «Por água abaixo» (2006).