O ano que agora termina foi marcado pela estreia de grandes filmes nas salas portuguesas. Muitos merecem destaque pelo seu sucesso junto do público, outros parecem ter agradado mais aos críticos do que aos espectadores.

Das produções de Hollywood às mais independentes, passando pelos filmes de animação e pelo circuito nacional, a TVI24 reuniu 10 filmes que marcaram 2014 e que foram exibidos nas salas portuguesas.


«Boyhood: Momentos de Uma Vida»,  Richard Linklater

Está em quase todas as listas de filmes do ano e é mesmo apontado como o melhor por vários órgãos da especialidade. «Boyhood: Momentos de Uma Vida» é indiscutivelmente uma das obras cinematográficas mais ambiciosas do nosso tempo.

Realizado por Richard Linklater, o autor da trilogia romântica com Julie Delpy e Ethan Hawke, «Antes do Amanhecer», «Antes do Anoitecer» e «Antes da Meia-Noite», foi filmado ao longo de 12 anos com os mesmos atores. Todos os anos a equipa encontrava-se pelo menos durante uma semana para filmar os momentos que agora se apresentam como um todo em cerca de duas horas e 45 minutos.

É por isso uma espécie de híbrido, que mistura ficção com imagens reais. A narrativa acompanha o crescimento de Mason (Ellar Coltrane), filho de pais divorciados (Ethank Hawke e Patricia Arquette), e as suas emoções, paixões e desgostos desde a infância à maioridade, num processo de descoberta de si mesmo.

«Boyhood» encontra-se nomeado em cinco categorias para os Globos de Ouro. Está na corrida para Melhor Filme de Drama, Melhor Ator Secundário de Drama (Ethan Hawke), Melhor Atriz Secundária de Drama (Patricia Arquette), Melhor Realização e Melhor Argumento.
 



«O Grande Hotel Budapeste», Wes Anderson


Wes Anderson é muito provavelmente um dos cineastas independentes mais populares da atualidade e, este ano, a sua última obra, «O Grande Hotel de Budapeste», confirmou isso mesmo. 

Premiado no Festival de Cinema de Berlim com o Grande Prémio do Júri, conta as peripécias de Gustave H., «concierge» de um famoso hotel, e Zero Moustafa, o jovem paquete que se torna seu companheiro e confidente. 

A ação decorre na fictícia República de Zubowska durante a década de 1930. O elenco é de luxo e conta com Ralph Fiennes, Jeff Goldbum, Willem Dafoe, Edward Norton, Adrien Brody e Tilda Swinton.

O filme também está na corrida aos Globos de Ouro, nomeado em algumas das principais categorias: Melhor Comédia ou Musical, Melhor Realização (Wes Anderson), Melhor Argumento (Wes Anderson), Melhor Ator em Comédia ou Musical (Ralph Fiennes).
 
 
 

«Interstellar», Christopher Nolan

Era uma das obras mais esperadas do ano. Cristopher Nolan, que assinou uma das mais bem sucedidas adaptações cinematográficas das aventuras de Batman (na verdade foram três porque se tratou de uma trilogia), regressou este ano com um filme que nos transporta para o futuro: um tempo em que a Terra se encontra em declínio e a raça humana busca outros planetas para colonizar.

O filme é protagonizado por Matthew McConaughey, que venceu o Óscar de Melhor Ator pelo filme «O Clube de Dallas» (2013, Jean-Marc Vallée). McConaughey interpreta um engenheiro viúvo a braços com o dilema da sua vida: integrar a missão espacial mais importante da história da humanidade ou privar-se desse acontecimento para ficar ao lado dos filhos.

No meio disto, há muitos conceitos científicos a ter em conta: «wormholes» (atalhos espaciais), buraco negros, a teoria da relatividade, tudo supervisionado por um dos mais conceituados físicos da atualidade, Kip Thorne.

«2001: Odisseia no Espaço» (1968, Stanley Kubrick), é apontado como uma das principais referências do filme. Mas em «Interstellar», ao contrário do filme de Kubrick, a exploração espacial serve-se das mais recentes tecnologias para criar imagens com uma plasticidade moderna que terão convencido os fãs das salas IMAX.

Muitas vezes comparado ao filme que arrebatou sete Óscares este ano, «Gravidade» (2013, Alfonso Cuarón), a viagem às estrelas de Nolan, que dura quase três horas, dividiu a crítica. Ainda assim, foi um dos filmes mais bem sucedidos junto do público, segundo os resultados do box office norte-americano.




«Debaixo da Pele», Jonathan Glazer 

Foi uma das surpresas do ano, para muitos. O filme «Debaixo da Pele», realizado por Jonathan Glazer, é a adaptação cinematográfica do romance de estreia de Michel Faber.

A trama gira à volta de uma jovem extraterrestre, Laura (Scarlett Johansson), que tem como missão seduzir os seres humanos para caçá-los. O objetivo? Satisfazer as necessidades de consumo da sua espécie. Acontece que ao longo da sua missão, Laura descobre em si mesma uma humanidade que pode pôr tudo em causa.

O filme, que mistura ficção científica com traços de realismo, pretende retratar o mundo em que vivemos através de um olhar alienígena. Glazer procurou dar ao espectador uma experiência sensorial à qual é impossível ficar indiferente. É um daqueles casos em que «ou ama-se, ou odeia-se».


 


«Cavalo-Dinheiro», Pedro Costa

O trabalho mais recente de Pedro Costa marcou presença em mais de 30 festivais de cinema internacionais, foi premiado com o  Leopardo de Melhor Realizador no Festival de Locarno, na Suíça, e venceu a competição internacional do Festival de Cinema de Vanguarda de Atenas, Grécia. A obra foi ainda distinguida pela revista britânica «Sight & Sound», do British Film Institute, que a considerou o terceiro melhor filme do ano

Em «Cavalo-Dinheiro», o cineasta, que é apontado pela imprensa internacional como um dos nomes mais relevantes do cinema português, volta à personagem Ventura, o emigrante cabo-verdiano do já demolido bairro das Fontainhas que conhecemos de «Juventude em Marcha» (2006).

Com este filme recuamos até ao passado, a um Portugal assombrado pela guerra colonial e pela revolução de abril. Os fantasmas de Ventura misturam-se com os fantasmas do país ao longo de 104 minutos. 


 
«Adeus à Linguagem», Jean-Luc Godard


Jean-Luc Godard, o realizador francês símbolo da escola «nouvelle vague», estreou este ano «Adeus à Linguagem».

Se por um lado o filme faz jus ao seu estatuto de realizador vanguardista e experimental, por outro lado vem confirmar que o cineasta não tem qualquer problema em abraçar a evolução tecnológica e a utilização do 3D, um formato que muitos consideravam improvável para o género do realizador.

A narrativa do filme parte do relacionamento entre uma mulher casada e um homem solteiro. Mas é mais do que isso. Há muitas metáforas sobre as relações humanas e a própria condição da humanidade.

Foi distinguido com o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes.




«Em Parte Incerta», David Fincher

Este ano, David Fincher, o aclamado realizador de «Seven: 7 Pecados Mortais» (1995) ou «Clube de Combate» (1999), trouxe-nos um thriller psicológico que conquistou as bilheteiras dos Estados Unidos.

O filme parte do relacionamento entre Nick (Ben Affleck) e Amy (Rosamund Pike). No dia em que celebram cinco anos de casamento, Amy desaparece sem deixar rasto. À medida que a investigação decorre, Nick torna-se suspeito de crime e a relação que inicialmente parecia perfeita começa a mostrar as suas fragilidades.

Ao longo da narrativa Fincher parece querer desconstruir as representações dos relacionamentos modernos, mas sempre com o jogo psicológico que lhe é característico e que vai convidando o espectador a decifrar significados.

A obra teve um grande sucesso junto do público, mas acabou por dividir opiniões junto dos críticos.




«E Agora? Lembra-me», Joaquim Pinto 

É um documentário auto-biográfico que acompanha a vida do realizador português Joaquim Pinto, portador dos vírus HIV e VHC. O filme retrata ainda a história de amor entre o cineasta e o seu marido. 

Premiado no Festival de Locarno (Suíça) com o Prémio Especial do Júri e o Prémio da Crítica Internacional, também venceu o Grande Prémio nos Encontros Internacionais do Documentário de Montréal (Canadá) e por cá o  Grande Prémio da Cidade de Lisboa no DocLisboa
 

 


«O Filme Lego», Phil Lord e Christopher Miller

Realizado por Phil Lord e Christopher Miller (a dupla que criou «Chovem Almôndegas», tem sido apontado pela crítica como um dos melhores filmes de animação do ano.

A história é sobre Emmet Brickowoski, um boneco que trabalha na construção civil, na grande cidade Lego. Emmet não tem muitos conhecimentos, mas um dia é confundido com um «construtor» e fica incumbido de uma missão muito importante: salvar o mundo do terrível lorde Negócios.

Está na corrida aos Globos de Ouro na categoria de Melhor Filme de Animação.
 
 


 «12 Anos Escravo», Steve McQueen

Apesar de ter estreado nos Estados Unidos o ano passado, só chegou este ano às salas portuguesas. «12 Anos Escravo» foi amplamente elogiado pela crítica e venceu o Óscar de Melhor Filme.

Realizado pelo britânico Steve McQueen, o cineasta de «Fome» ou «Vergonha», o filme de contornos dramáticos faz um retrato dos Estados Unidos em 1841, quando o país estava demarcado pela escravatura.

A história é a de Solomon Northup (chiwetel Wjifor) um negro livre, com uma vida tranquila em Nova Iorque, mas que acaba por cair num embuste que culmina na privação da sua liberdade. Solomon fica escravo durante 12 anos.

O filme é adaptado do romance autobiográfico de Solomon Northup que foi raptado e vendido como escravo em meados do século XIX.