O realizador Manoel de Oliveira foi distinguido esta terça-feira com a Legião de Honra francesa, por uma carreira que o embaixador francês em Portugal, Jean-François Blarel, descreveu como «fora do comum», marcada por laços de amizade com aquele país.

Manoel de Oliveira «continua a ser uma referência do cinema»

Numa cerimónia que decorreu no Museu de Serralves, no Porto, o embaixador francês salientou as ligações francófonas de Manoel de Oliveira, mostrando «orgulho por que parte da obra tenha sido realizada em França» e em francês, lembrando as diversas distinções que o realizador português já recebeu ao longo da carreira, desde o prémio Robert Bresson à Palma de Ouro pela carreira, em Cannes.

«É para mim uma grande honra receber, da parte da França, esta distinção», afirmou Manoel de Oliveira, em francês, antes de agradecer à França e de dizer «Viva o cinema!» perante uma assistência que incluía o secretário de Estado da Cultura, o presidente da Câmara Municipal do Porto e o realizador João Botelho.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, relatou que, muitas vezes, é questionado sobre se Manoel de Oliveira é do Porto: «Eu costumo dizer que o Porto é de Manoel de Oliveira».

Jean-François Blarel elencou a série de vidas contidas nos quase 106 anos - a completar na quinta-feira - do realizador de «Douro, Faina Fluvial», desde o ator de «Fátima Milagrosa» ao dançarino de «Inquietude», passando por tantos outros.

O diplomata sublinhou tratar-se de um «realizador genial, sempre de uma modernidade radical, sem cessar de se colocar em causa, de explorar novas estéticas e manifestando sempre a consciência forte do valor artístico do cinema».

Por seu lado, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em comunicado, enalteceu hoje o realizador Manoel de Oliveira como uma «referência do cinema nacional e mundial», no dia em que o cineasta foi distinguido pelo Governo de França.

Passos Coelho afirmou, no comunicado, que se «congratula com a atribuição, por parte do Estado francês, das insígnias de Grande Oficial da Legião de Honra de França ao realizador Manoel de Oliveira».

O primeiro-ministro recordou ainda que o Estado português também já distinguiu a «carreira ímpar de Manoel de Oliveira», com a Comenda da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1980), com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1988) e com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D.Henrique (2008).