A possibilidade de o realizador norte-americano Woody Allen filmar em Lisboa é «uma porta que se mantém em aberto», mas o cineasta «não está em condições de assumir mais compromissos», afirmou o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, esta terça-feira.

No final da apresentação do festival Lisbon & Estoril Film Festival, em Lisboa, António Costa disse aos jornalistas que a resposta que tem tido «por parte dos produtores [de Woody Allen] é que, neste momento, têm vários compromissos já assumidos e que não estão em condições para assumir mais compromissos».

«É uma porta que se mantém em aberto, vamos ver se um dia há condições para que haja disponibilidade da parte dele e capacidade da nossa parte», acrescentou o autarca, sublinhando: «O mundo não começa nem acaba no Woody Allen».

Para António Costa, a presença do realizador em Lisboa «não é a principal questão que se coloca no cinema» em Portugal, sublinhando que há outras «frentes» de apoio, nomeadamente a festivais e à produção e distribuição de cinema português.

«Tem a ver com a distribuição, manutenção das salas de cinema, tem a ver com a esta coisa horrível que tem estado a acontecer que é quase a criação de um monopólio nas salas de cinema e na distribuição que asfixia muito do potenciar do cinema português», disse.

Woody Allen tem sido cobiçado para rodar um próximo filme fora dos Estados Unidos, sobretudo por causa do impacto turístico em cada cidade escolhida.

No ano passado, disse numa entrevista à TVI24 que, para filmar em Lisboa, bastaria que o convidassem e que lhe arranjassem financiamento.

Em agosto, António Costa afirmou, numa entrevista ao semanário «Sol», que gostaria de ver Woody Allen a filmar na capital portuguesa e que têm sido feitos contactos com a produção do realizador.

Em setembro, o Governo português confirmou que, no ano passado, foram feitos contactos pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Portas, com a equipa do cineasta, «para analisar em concreto o interesse e as condições para fazer um filme em Lisboa».

Tratou-se, na altura, de uma iniciativa conjunta do MNE, da Câmara Municipal de Lisboa e do Turismo de Portugal.

«Era uma forma extraordinária de promoção de Portugal e de Lisboa em concreto», disse à Lusa fonte do gabinete do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.