«The Act of Killing» valeu-lhe um prémio Bafta e é um dos favoritos à vitória do Óscar para Melhor Documentário, mas Joshua Oppenheimer dificilmente irá poder regressar ao país onde rodou o tão controverso filme.

Em entrevista à BBC News, o realizador norte-americano disse que «apesar de adorar poder voltar» à Indonésia, «não é seguro» fazê-lo porque as reações no país não foram as melhores.

Recorde-se que «The Act of Killing» acompanha vários antigos mercenários indonésios, responsáveis pela morte de civis suspeitos de associação a movimentos comunistas durante os anos 1960. Mostrando pouco ou nenhum arrependimento pelos atos cometidos, alguns dos ex-líderes de milícias são convidados a recriar os assassinatos como se fizessem parte de um filme de Hollywood.

«O filme é, de certa forma, a minha carta de amor pela Indonésia. Mas, ao mesmo tempo, uma das coisas mais tristes em lançar este filme é que eu não poderei lá voltar em segurança», explicou Oppenheimer à BBC.

Após a nomeação de «The Act of Killing» para os Óscares, o próprio governo de Jacarta reagiu negativamente, criticando o que entende ser uma «má representação» da Indonésia dos dias de hoje.

«O filme mostrou uma Indonésia atrasada, como se estivéssemos nos anos 1960. Isso não é certo nem representa a verdade. Devemos lembrar-nos que a Indonésia passou por uma reforma. Há muita coisa que mudou», disse o porta-voz do presidente Susilo Bambang Yudhoyono para assuntos externos, Teuku Faizasyah, citado pelo «The Jakarta Globe».

Joshua Oppenheimer afirmou ainda temer pela segurança da equipa de filmagens local que trabalhou com ele no documentário, e que tentou proteger mantendo o seu anonimato.