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«O Capacete Dourado» e as «grandes descobertas» do festival de Luanda

Esta é a única longa-metragem portuguesa em exibição na capital angolana. A curta de João Salaviza, «Arena», também passa nos cinemas

Por: Paula Oliveira  |  24- 11- 2009  23: 50

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Capacete Dourado de Jorge Cramez



«O Capacete Dourado», do realizador Jorge Cramez, foi seleccionado para o Festival Internacional de Cinema de Luanda, que decorre desde sábado e até dia 29 na capital angolana. Exibido no domingo, «O Capacete Dourado» é, a par da curta-metragem de João Salaviza, «Arena», premiada com a Palma de Ouro, este ano, no Festival de Cinema de Cannes, o único filme português em cartaz.

O festival de Luanda junta realizadores de países como Moçambique, África do Sul, Nigéria, Senegal, entre outros, e, naturalmente, angolanos. Numa cidade onde a arquitectura das salas do tempo colonial se impõe a olhos vistos, como descreve Jorge Cramez em declarações ao IOL Cinema, a troca de experiências sobre uma África que desconhecemos tem sido para o realizador uma das «grandes descobertas».

«O cinema angolano, que desconhecemos em Portugal, é bastante popular, embora atravesse a mesma crise que se vive na Europa, e que é o decréscimo de público. Em termos temáticos, os filmes estão muito virados para o kuduro e também para as armas», descreve Cramez.

Nascido em Angola, Jorge Cramez regressa ao país de onde saiu com apenas onze anos. «É uma revelação. É preciso vir para se saber e sentir. Sinto-me muito bem neste regresso às origens e sinto que estou a colher aqui a força vital para dar um impulso ao meu trabalho como cineasta», confessou ao IOLCinema.

Com estreia em 2007, «O Capacete Dourado» foi seleccionado para a competição internacional desse ano do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça.

O filme conta a história de um amor que salva dois adolescentes do precipício para onde a vida estava prestes a lançá-los. Jota e Margarida (Eduardo Frazão e Ana Moreira) vivem numa pequena cidade de província e procuram ultrapassar a pequenez do seu meio. O filme tem como cenário Vila Real e relata o drama de um motard adolescente que é responsável pela morte da própria mãe, na sequência de uma brincadeira de motos com os amigos. Numa luta contra os seus próprios limites, o rapaz «vai manter até ao fim a convicção de que nada é para ser vivido, e muito menos o amor», segundo pode ler-se na sinopse do filme. Leia a crítica ao filme aqui

Jorge Cramez está em pré-produção de uma curta-metragem intitulada «Na Escola», com rodagem prevista para Dezembro.



Veja aqui o trailer:

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