A curta-metragem de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata «Mahjong» foi exibida na quinta-feira, repetindo no sábado, em Genebra, no festival de cinema independente Blackmovie, que encerra no domingo e dedicou um slogan aos cineastas portugueses.

«Acrescenta João ao teu nome» («Add João to your name») é a promoção da 15ª edição do Blacklist à participação de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, depois da presença dos dois realizadores no certame, no ano passado, com «Alvorada Vermelha».

«Mahjong», um filme de suspense criado sobre proposta de Darío Oliveira, programador do Festival Curtas de Vila do Conde, é uma espécie de retrato imaginário de Varziela, influenciado pelas experiências dos dois realizadores, particularmente por «A Última Vez Que Vi Macau», que também dirigiram em conjunto.

João Pedro Rodrigues, em declarações à Lusa, revela mesmo que, sem «A Última Vez Que Vi Macau», «"Mahjong" não podia ser o que é» e, «visto retrospetivamente, "Mahjong" toma outro sentido», acrescenta João Rui Guerra da Mata, já que os dois filmes possuem elementos comuns.

Nos dois filmes, os realizadores procuraram recriar um espaço e oferecer um ponto de visto pessoal, que transforma o lugar filmado. Por exemplo, «com "A Última Vez Que Vi Macau", pessoas que conheciam Macau, não reconheceram certos sítios quando viram o filme», disse João Rui Guerra da Mata à Lusa.

Por outro lado, «Mahjong» dá continuidade aos filmes «asiáticos» que são «China China», «A Última Vez Que Vi Macau» e «Alvorada Vermelha», que surgiram ao longo da colaboração entre os dois realizadores, os quais procuram em geral ecoar elementos entre as produções.

Desenvolvido com estudantes da Universidade do Porto, «Mahjong» conta a história de um homem com chapéu à procura de uma mulher, com a sua pesquisa ritmada pela banda sonora de Luís Fernandes, Peixe:Avião - uma estreia para João Pedro Rodrigues, que nunca trabalhou com música criada propositadamente para os seus filmes

A paixão declarada pelo Blacklist ao cinema dos dois realizadores, com o slogan deste ano - «Add João to your name» - tem reciprocidade.

«Ao contrário de festivais em que se fala só de dinheiro, aqui pensas no cinema como cinema», comentou João Pedro Rodrigues, em declarações à Lusa.

João Rui Guerra da Mata acrescenta: 'Aqui há uma vida além do cinema, uma alegria contagiante».

Trabalhando juntos desde «Parabéns» (1997), a dupla já tem vários projetos cinematográficos e artísticos, quer a solo, quer em correalização, até 2015.

Em 2014, os dois realizadores confessam à Lusa que gostavam de apresentar, em Portugal, «Santo António», que está atualmente patente no Mimesis Art Museum em Paju, na Coreia do Sul.

O filme «Alvorada Vermelha» será projetado este ano em «blackbox», no Museu do Oriente, numa exposição dedicada aos artistas portugueses e chineses, celebrando as relações entre os dois países.

Para abril de 2015, o maior festival independente de Coreia do Sul, o Jeonju film Festival, encomendou uma longa-metragem à dupla portuguesa.

A proposta traduzir-se-á em «Hotel Central», que será filmado em Macau, numa coprodução entre o território, Portugal e a Coreia do Sul.

Sobre este tipo de encomendas, os dois realizadores salientam a importância deste apoio, para se continuar a filmar, particularmente no caso dos cineastas portugueses, muito afetados pela situação atual do cinema no país, que viu os financiamentos públicos suspensos em 2013.

João Pedro Rodrigues conta estrear este ano «A Manhã de Santo António» e iniciar ainda a rodagem da sua próxima «longa», «O Ornitólogo», que espera levar aos ecrãs em 2015.