O realizador João Canijo, que trabalhou com o ator José Wilker em 1990, recordou este sábado a «grande abertura e grande disponibilidade» do artista e as dificuldades de filmar quando «Roque Santeiro» estava no auge da popularidade.

Morreu o ator José Wilker

Em declarações à Lusa, João Canijo disse que o contacto entre os dois foi estabelecido depois de o filme de estreia do português («Três Menos Eu») ter sido selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, pelo que o realizador aproveitou para «dar um saltinho ao Rio para tentar falar com o José Wilker».

«A lembrança que mais me ficou, para além da relação com ele e da disponibilidade dele e da qualidade como ator que ele tinha, era o inferno que eram as filmagens cada vez que filmávamos em exteriores. Porque estava ainda a dar o "Roque Santeiro" e o som foi todo dobrado porque só se ouvia "Roque! Roque! Roque!"», lembra João Canijo a propósito das filmagens de «Filha da Mãe».

O realizador acrescenta que sempre que se sentavam «num sítio qualquer, passados menos de cinco minutos» havia uma fila a pedir autógrafos.

«Filmar no bairro do Zambujal não foi nada fácil. Disso lembro-me», reconhece João Canijo, que salienta que os dois mantiveram o contacto durante algum tempo e que se voltaram a encontrar em Cannes, constatando que «a relação era a mesma».

Ator é um «exemplo de dedicação à arte»

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, considerou o ator um «exemplo de dedicação à arte».

«José Wilker presenteou-nos com interpretações que se tornaram ícones do cinema e da televisão», escreveu a presidente brasileira no seu twitter.

Já o ator Miguel Guilherme disse à Lusa que José Wilker era um homem singular, um ator «peculiar» e «muito moderno».

«Ele era um homem muito informado, muito culto, com um sentido de humor muito peculiar e sobretudo muito moderno», disse à Lusa Miguel Guilherme que contracenou com José Wilker no filme «Filha da Mãe» (1990) do realizador português João Canijo.

«Eu já era fã dele porque desde miúdo que via o personagem que me marcou mais - o dr. Mundinho da "Gabriela". Não era este coronel que ele fez na segunda versão e vi-o também no cinema. Era um ator muito peculiar, muito fora do baralho e inconformado», acrescentou Miguel Guilherme que lamenta a morte do ator brasileiro.

Por sua vez, a atriz brasileira Regina Duarte considerou que com a morte de José Wilker o Brasil «perde um ator de inteligência aguda».

A atriz, que contracenou com o ator na novela «Roque Santeiro», reagia assim, numa pequena nota enviada à agência Lusa.

«O Brasil perde hoje um ator de inteligência aguda que impregnava suas interpretações com humor e ironia», disse.

Para a atriz, «a classe artística perde um colega divertido e grande profissional».

Regina Duarte, que se encontra em Lisboa para participar no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin), aludiu ainda à personagem interpretada por José Wilker na telenovela Roque Santeiro, que foi transmitida em Portugal e com a qual o ator aumentou ainda a fama que já tinha obtido com a interpretação em «Gabriela, cravo e canela».

«O Roque Santeiro dele era um mega sedutor que balançou o coração da Porcina», disse a propósito a atriz que protagonizou aquele papel.

Notícia publicada às 17h31