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Morreu João Bénard da Costa

Director da Cinemateca tinha 74 anos. Funeral é sexta-feira, pelas 14 horas


PO  /   2009-05-21

Notícia actualizada com mais informação

João Bénard da Costa, director da Cinemateca, morreu vítima de cancro, esta quinta-feira, aos 74 anos.

Nascido a 7 de Fevereiro de 1935, João Bénard da Costa, foi subdirector da Cinemateca Portuguesa desde 1980 e director de 1991 a 2009. Em Janeiro foi substituído na direcção da Cinemateca Portuguesa por Pedro Mexia devido a problemas de saúde. Ficou com o cargo de presidente da instituição.

O corpo de João Bénard da Costa estará em câmara ardente a partir das 18 horas na Igreja de São Sebastião da pedreira, em Lisboa. Será rezada missa pelas 21 horas. O cortejo fúnebre está marcado para sexta-feira, depois da missa de corpo presente, que ocorrerá pelas 14h00. Bénard da Costa vai a enterrar no Cemitério dos Olivais.

BIOGRAFIA: Duarte de Almeida, o alter-ego de Bénard da Costa

Em comunicado enviado às redacções, a Cinemateca informa que as suas sessões serão suspensas esta quinta-feira, retomando a programação normal na segunda-feira.

Sexta-feira às 21h30, haverá uma projecção do filme Johnny Guitar, com entrada livre.


Manoel de Oliveira e outras figuras ligadas ao cinema português lamentam a morte de Bénard da Costa

Edmundo Cordeiro, Professor Universitário, descreve em depoimento para o IOLCinema a importância de João Bénard da Costa no cinema em Portugal:

Um grande homem. João Bénard da Costa foi quem, em Portugal, deu o contributo mais importante para o cultivo da relação com o cinema, enquanto história e enquanto arte, sobretudo depois do 25 de Abril. Continuou, ampliou e deu mais largos horizontes ao trabalho iniciado por Félix Ribeiro e Luís de Pina, os primeiros directores da Cinemateca Portuguesa. Os ciclos de cinema que promoveu, primeiro na Gulbenkian e no Palácio Foz, desde os anos setenta, e depois na sala da Cinemateca, na Barata Salgueiro, foram sempre grandes acontecimentos, alguns deles de nível mundial. Bénard da Costa conseguiu muitas vezes dar a ver pela primeira vez a totalidade da obra de autores determinantes.

O trabalho de Bénard da Costa formou e influenciou decisivamente a maior parte dos produtores e dos cineastas portugueses que começaram a filmar nos anos oitenta e noventa, dos quais destaco Amândio Coroado, Pedro Costa e João Pedro Rodrigues.

João Bénard da Costa foi também um grande escritor, particularmente um grande escritor sobre o cinema, sobre os filmes e sobre as coisas que os filmes têm. João Bénard da Costa formou um olhar, ajudou a ver melhor. «Ver é uma coisa muito difícil. A gente julga que vê, mas não vê nada», disse ele numa entrevista há uns anos atrás.

A minha relação com o cinema deve-se em muito ao que ele me deu, quando o ouvia falar, sublimando e tornando vivas coisas que pareciam pequenas. E, sobretudo, as suas «folhinhas», escritas naquele português de tom muito seu, um tom queirosiano com qualquer coisa de Drummond de Andrade e de O`Neil, com aquelas palavras e expressões só suas, como «celebérrimo» e «à época». Era assim que João Bénard da Costa comunicava a sua paixão, o seu entusiasmo e fascínio: «Este assombroso personagem, assombrosamente criado por uma das mais assombrosas mulheres de Lang» - aqui, era de Gloria Grahame e da personagem que representou em «Human Desire», de Fritz Lang, que João Bénard da Costa falava.

Tudo isso contagiava. E a sua paixão vai continuar a contagiar: a maior parte dos excelentes textos sobre cinema publicados na imprensa estão editados pela Assírio & Alvim. Devemos ir lê-los agora, é lá que arde a chama do seu espírito e o melhor que ele nos dá.


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