A ampliação do Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM), pertencente à Cinemateca, vai custar cerca de 2,4 milhões de euros e foi adjudicada pelo Ministério da Cultura à empresa Construtora Udra, noticia a agência Lusa.

A construção de cinco novos cofres e depósitos, num total de mil metros quadrados, nos edifícios do ANIM, em Bucelas, vai acolher o arquivo histórico da RTP, estimado em 25 000 horas de conteúdos.

De acordo com nota do Ministério da Cultura divulgada hoje, as obras - que ainda não têm data de arranque - custarão 2 471 974 euros e terão uma duração prevista de dez meses.

Em declarações à agência Lusa, o director do ANIM, Rui Machado, disse que a ampliação dos arquivos em Bucelas (Loures) se destina a acolher não só o acervo da RTP, mas também o da Cinemateca.

«A nossa colecção, mesmo sem este depósito da RTP, tem vindo a crescer. Quando o ANIM foi construído pensou-se que os cofres actuais dariam no máximo dos máximos para dez anos de existencia, que estamos a bater», disse Rui Machado.

O actual ANIM, construído em 1996 em Bucelas, é a face menos visível da Cinemateca e tem como funções salvaguardar toda a colecção de imagens em movimento à guarda do Museu do Cinema.

No arquivo trabalham cerca de vinte pessoas na conservação, preservação, restauro, catalogação das imagens em movimento, depositadas em cofres climatizados para retardar o mais possível a degradação física dos seus suportes.

Actualmente, o ANIM têm capacidade para armazenar cerca de 182 mil bobines, o equivalente a mais de 54 mil quilómetros de película.

Do acervo fazem parte, por exemplo, os primeiros filmes de Aurélio da Paz dos Reis, feitos em 1896, e «Os crimes de Diogo Alves» (1991), de João Tavares, considerado o primeiro filme português de ficção.

A estes juntam-se centenas de jornais de actualidades, que eram exibidos nas salas antes da projecção dos filmes, películas sobre as ex-colónias portuguesas, documentários produzidos pelo Estado Novo e ainda filmes amadores de particulares que são depositados no ANIM.