Paris vai homenagear Manoel de Oliveira, falecido na semana passada, dia 2 de abril. O Cinéma le Grand, na capital francesa, vai apresentar um ciclo de dez filmes do realizador português. «Aniki-Bóbó» e «O Gebo e a Sombra» são dois dos filmes que estarão em exibição a partir de quarta-feira.

A direção do Cinéma le Grand Action lamenta a morte do realizador português, numa altura em que se já se tinha decidido pela sua «presença imutável», programando, com «urgência», uma semana de exibições regulares do cinema de Oliveira, cita a Lusa.

Até ao dia 14, serão recordados em Paris filmes como «O Gebo e a Sombra» (2012), última longa-metragem de Manoel de Oliveira, «Aniki Bóbó» (1942), primeira longa de ficção, e «O estranho caso de Angélica», no qual recupera um projeto com mais de 50 anos.

A estes juntam-se o documentário «O ato da Primavera», «Belle Toujours», «Cristóvão Colombo - o Enigma», «Francisca», «Benilde ou a virgem mãe», «O passado e o presente», «Singularidades de uma rapariga loura» e, a terminar, «O espelho mágico».

Em França, onde estrearam muitos dos seus filmes, Manoel de Oliveira foi recordado com pesar, com várias figuras públicas e organismos culturais a lamentarem a perda para a cultura e para o cinema mundial.

À TVI, Catherine Deneuve lamentou profundamente a perda de Oliveira: «Com o Manoel, era tudo muito singular».

O diretor-geral da Cinemateca Francesa, Serge Toubiana, escreveu, por sua vez, que «Manoel de Oliveira era um incansável contador de histórias que acreditava no cinema dos tempos primitivos, nos tempos em que a credulidade do espetador se fundava no olhar cândido».

Stéphane Delorme, chefe de redação da revista Cahiers du Cinéma afirmou à Lusa: «Ficámos muito tristes e com a impressão de que caiu um monumento, ainda que nunca tenhamos tido a impressão de que ele fazia um cinema monumental. O cinema dele era elegante, irónico, inteligente».

A revista francesa dedicará parte da edição de maio ao realizador português, publicando uma entrevista que, segundo Delorme, é inédita.

A organização do festival de Cannes afirmou que Manoel de Oliveira foi um «farol da cultura europeia e mundial», que ocupa o «mesmo lugar para o cinema português que [Ingmar] Bergman para a Suécia, [Akira] Kurosawa para o Japão ou [Federico] Fellini para a Itália».

O Festival de Cannes homenageou o realizador português com uma Palma de Ouro pela sua carreira, em 2008.

A ministra da Cultura francesa, Fleur Pellerin, descreveu Manoel de Oliveira como «um criador com uma energia fascinante».

Em 2014, Manoel de Oliveira foi condecorado com as insígnias de Grande Oficial da Legião de Honra de França.