O filme «A Mãe e o Mar», de Gonçalo Tocha, encerra na sexta-feira as exibições das sete longas-metragens portuguesas em competição no 11º festival DocLisboa, escreve a agência Lusa.

«A Mãe e o Mar», sobre uma tradição quase perdida das mulheres pescadoras em Vila Chã, em Vila do Conde, será exibido na sexta-feira, no cinema São Jorge, e repete no sábado, no cinema City Alvalade.

Novamente com o mar na paisagem, depois de «Balaou» (2007) e de «É na Terra Não é na Lua», Gonçalo Tocha filmou Glória, a última das pescadoras, e recupera a memória do passado, com a ajuda de outros habitantes de Vila Chã, que também viveram do mar.



Gonçalo Tocha venceu em 2011 a competição internacional do DocLisboa com «É na Terra Não é na Lua».

A competição também inclui «Os Caminhos de Jorge», de Miguel Moraes Cabral, um retrato de um país em crise a partir da história de um amolador que percorre vários quilómetros, entre Braga e Viana do Castelo, para concertar guarda-chuvas e afiar facas.

Há ainda «A Campanha do Creoula», de André Valentim Almeida, feito em 2010 a bordo do navio Creoula, rumo às ilhas Selvagens, e no qual o realizador recorda memórias pessoais.

A estes junta-se «Os Dias Com Ele», da brasileira Maria Clara Escobar, que segue em busca do seu passado através do pai, com quem manteve pouco contacto, o ensaísta Carlos Henrique Escobar, torturado durante a ditadura no Brasil e atualmente a viver em Portugal.



Margarida Leitão compete com «Cara a Cara», sobre os forcados de touros de Portugal e do México, revelando o respeito pela tradição, a preparação psicológica e o trabalho coletivo antes da entrada na arena.

Susana Nobre estreia-se nas longas-metragens com «Vida Ativa», filme que tem como pano de fundo o programa Novas Oportunidades, de formação para adultos.

A direção do DocLisboa selecionou ainda para a competição o filme «Twenty-One-Twelve, The Day The World Did Not End», de Marco Martins, exibido em maio no Museu do Louvre, em Paris, na exposição do artista italiano Michelangelo Pistoletto.

O filme, que cruza ficção e documentário, parte da ideia de que a 21 de dezembro de 2012, o dia mais curto do ano, o mundo acabaria, segundo o calendário maia.

Marco Martins regista o dia na vida de mais de uma dezena de pessoas em Portugal, Reino Unido, Índia e Japão. De Portugal são retratados o escritor Gonçalo M. Tavares, o músico David Santos (Noiserv), o astrofísico Pedro Gil Ferreira, a aldeã Maria de Fátima Príncipe e o pastor Fernando Magalhães, ambos de Trás-os-Montes.

A 11ª edição do DocLisboa termina no domingo, mas os vencedores de todas as categorias de competição serão anunciados no sábado.

A competição internacional inclui apenas um filme português, «E Agora? Lembra-me», registo íntimo e biográfico do realizador Joaquim Pinto, durante um ano de experiências médicas, por causa dos vírus HIV e Hepatite C.

A competição de curtas-metragens portugueses incluiu «Tabatô», de João Viana, «Karukinka. Histórias de Muñecos», de Mário Gomes e Elisa Balmaceda, «Where To Sit At The Dinner Table?», de Pedro Neves Marques, «Flor e Eclipse», de Marcelo Félix, «Ao Lugar de Herbais», de Daniel Ribeiro Duarte, «Untitled», de Jorge Romariz, e «Theatrum Orbis Terrarum», de Salomé Lamas.