O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado vai estar em Lisboa para inaugurar a exposição «Génesis», com cerca de 250 imagens dedicadas à natureza, que vão ficar patentes até 2 de agosto, no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional.

Fonte da organização indicou à agência Lusa que o fotógrafo e a mulher, Lélia Wanick Salgado, curadora da exposição, estarão presentes na inauguração da mostra, esta quinta-feira, às 18:00.

«Génesis» resulta de uma coprodução da Terra Esplêndida, em conjunto com a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) e da Câmara Municipal de Lisboa.

As imagens captadas por Sebastião Salgado sobre pessoas e natureza versam tanto os flagelos da Humanidade como os lugares intocados pelo Homem. Têm corrido mundo em livros e exposições.

Esta mostra surge na sequência de dois anteriores grandes projetos de Sebastião Salgado: «Trabalhadores» (1993) e «Migrações» (2000), que abordaram o trabalho manual e o movimento de populações no planeta.

Já «Génesis» é projeto que foi realizado ao longo de quase uma década e é uma homenagem do fotógrafo à grandiosidade da natureza. Ao mesmo tempo, é um alerta para a fragilidade da Terra, mostrando lugares quase intocados que a Humanidade pode perder se não tomar medidas para a preservar.

As imagens, captadas em várias áreas geográficas, serão apresentadas nas secções «Sul do Planeta», «Santuários», «África», «Espaços a Norte» e «Amazónia e Pantanal».

Imagens de fauna e flora em lugares pouco explorados pelo Homem, mas também as comunidades humanas das selvas do Amazonas e da Nova Guiné são alguns exemplos daquilo que os visitantes podem encontrar, resultado de mais de 30 viagens pelo mundo entre 2004 e 2011.

Outra estreia: um documentário

Também na quinta-feira irá estrear-se em Portugal, no circuito regular de exibição comercial, o documentário «O Sal da Terra», realizado por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião Salgado.

O documentário, distribuído em Portugal pela Midas Filmes, teve estreia mundial na última edição do Festival de Cannes, em maio de 2014, onde recebeu uma Menção Especial do Júri da secção "Un Certain Regard".

Em Portugal, o filme foi exibido em dezembro do ano passado, no encerramento do Festival PortoPostDoc, no Teatro Municipal Rivoli, no Porto.

Nos últimos 40 anos, Sebastião Salgado viajou por todos os continentes, testemunhando conflitos internacionais, fome e o êxodo de populações, além de ter documentado algumas das paisagens mais grandiosas da natureza do planeta.

Em «O Sal da Terra», Sebastião Salgado vai narrando algumas histórias por trás das fotografias, nomeadamente as que fez para o projeto "Êxodos", no qual retratou centenas de homens, mulheres e crianças a morrer de fome, em países como o Mali e o Uganda, entre 1994 e 2000.

Ao lado das imagens humanas mais dramáticas, surgem também as histórias sobre o projeto "Terra", em que são retratados ecossistemas pouco explorados pelo homem, e que começou nas ilhas Galápagos, onde Darwin recolheu muita informação para formular a teoria da evolução, em 1835.

Em julho do ano passado, o fotógrafo brasileiro lançou em Portugal o livro «Da Minha Terra à Terra», pela editora Individual, no qual conta pela primeira vez a história pessoal e faz revelações das raízes políticas, éticas e existenciais do seu trabalho.

Nascido a 8 de fevereiro de 1944, em Aimorés, Minas Gerais, Sebastião Salgado é formado em Economia e começou a sua carreira de fotógrafo em Paris, em 1973.

O seu trabalho foi alvo de uma grande exposição em Portugal, em 1993, na inauguração do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, onde mostrou também cerca de 250 imagens.

Membro das agências de fotografia Sygma, Gamma e, posteriormente, a Magnum, Sebastião Salgado fundou a Amazonas Images, com a mulher, Lélia Wanick, em 1994, e juntos criaram o Instituto Terra para a reflorestação da Mata Atlântica brasileira.