A polémica estalou na terça-feira, numa sala de cinema de João Pessoa, no Brasil, quando um cliente publicou a sua indignação nas redes sociais:

A fotografia de Iarlley Araujo, consultor, era acompanhada do seguinte texto: «Ao comprar o ingresso do #folia #PraiadoFuturo fui questionado com a seguinte frase do atendente do#Cinépolis #JoãoPessoa/PB; «Senhor, tem certeza que deseja ver esse filme? Pois ele contém cenas de sexo homossexual». Eu disse; «sem problemas». Então recebi meu ingresso com esse carimbo de AVISADO. Na hora fiquei surpreso e com um misto de dúvidas. Uma das é: Isso é para os desavisados e preconceituosos, não pedir o dinheiro de volta?», pode ler-se na sua página de Facebook pessoal. Em declarações à BBC Brasil, o consultor explica: «Postei a foto do ingresso, achei uma afronta».

O filme dos acontecimentos não termina por aqui, com os grandes jornais do país a pegarem no assunto, como a «Globo», por exemplo. Em defesa, os donos da sala negam e dizem que o carimbo serve de controlo para meias-entradas, ou seja, conforme o comunicado: «A utilização do carimbo AVISADO faz parte da política da Cinépolis para notificar o usuário da obrigação de apresentação da carteira de estudante para comprovar o direito à meia-entrada em suas sessões».

O filme «Praia do Futuro» foi selecionado para o festival de Berlim deste ano, e contém cenas de sexo entre Wagner Moura e Clemens Schick.

A produtora do filme demarca-se da polémica e da alegada homofobia, através de uma mensagem no Facebook,: «Sim, há cenas de sexo gay em Praia do Futuro, elas são maravilhosas, o filme está em cartaz nos cinemas», e, depois de milhares de gostos, a produção ainda empolou mais o assunto com uma foto do realizador do filme com um cartaz com a hashtag #homofobianaoéanossapraia. Uma atitude que teve repercussões na Internet como uma bola de neve e fotos de idênticas de apoio.

As cenas dos próximos capítulos prometem continuar nas redes sociais, entre apoio e contestação. Liberais e conservadores. Mais sérios ou mais humorísticos.

Quem se fartou do filme da vida real foi mesmo Iarlley Araujo, que denunciou os factos. Num longo post publicado esta sexta-feira no Facebook, começa por dizer: «Sou ser humano com hábitos e quootidiano corriqueiro simples. E não! Eu não quero e nem quis causar polémica! Todos os posts que faço se referem aos fatos de minha vida, sem especular ou tentar chamar a atenção da media mundial para um ato meu».