Os dez anos do IndieJúnior, o regresso da secção «Herói Independente», os 40 anos da revolução de abril e o aumento de co-produções internacionais resumem a 11ª. edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente, apresentada esta terça-feira.

O festival, que começa a 24 de abril, acontecerá em mais espaços da cidade e contará, em contraciclo com o cenário de crise, com um aumento de 150.000 euros no orçamento (total de 1,1 milhões de euros), fruto de um reforço dos apoios privados, disseram os programadores Nuno Sena e Miguel Valverde na conferência de imprensa.

Ambos afirmaram que o IndieLisboa, em mais de uma década, tem-se tornado numa «plataforma de visibilidade para os realizadores mostrarem os seus filmes» e que o «cinema indie não é de um nicho, é para um enorme conjunto de públicos muito interessantes».

Este ano, a direção do IndieLisboa recebeu cerca de 4.000 filmes, tendo selecionado 226, dos quais 44 são portugueses, assinalando-se um aumento de co-produções com outros países, sobretudo no que toca às curtas-metragens. Uma consequência da saída do país de muitos jovens realizadores portugueses, disse Miguel Valverde.

A competição nacional apresentará 17 curtas-metragens e quatro longas-metragens: «Alentejo, Alentejo», de Sérgio Tréfaut, «O novo testamento de Jesus Cristo segundo João», de Joaquim Pinto e Nuno Leonel, «Revolução industrial», de Tiago Hespanha e Frederico Lobo, e «Tales of Blindness», de Cláudia Alves.

Das 17 curtas a concurso, há várias co-produções estrangeiras, nomeadamente «Implausible Things», de Rita Macedo (Portugal/Alemanha), «Le petit prince au pays qui défile», de Carine Freire (Suíça/Portugal) e «A Caça revoluções», de Margarida Rego (Portugal/Reino Unido).

Manuel Mozos, Sandro Aguilar e Tiago Guedes são outros realizadores com filmes presentes no festival.

Da produção estrangeira, assinala-se a escolha de filmes de Xavier Dolan («Tom à la ferme»), de Tsai Ming-liang («Journey to the west»), de Johnnie To («Blind detective»), Catherine Breillat («Abus de faiblesse») e Júlio Bressane («Educação sentimental»).

Miguel Valverde considerou que a competição internacional apresenta filmes que «não são fáceis nem têm títulos óbvios», dado o «caráter híbrido» de algumas produções, mas pretende-se «recompensar a generosidade do público».

A secção «Herói Independente» é recuperada depois de duas edições de ausência e é dedicada à realizadora francesa Claire Simon - que estará presente em Lisboa - revelando um cinema que «cruza o real e a ficção», referiu Nuno Sena.

O IndieJúnior, que cumpre dez anos de programação para os mais novos, contará com cerca de 40 filmes, a maioria estrangeiros, e a organização pretende que esta secção seja o mais abrangente possível, da infância até ao final da adolescência.

Segundo Nuno Sena, estão já inscritos 5.500 alunos da região de Lisboa para assistir às sessões deste ano do IndieJúnior. Para o dia 27 de abril está marcada uma festa, com cinema na Culturgest e atividades no jardim do Palácio Galveias.

O IndieLisboa irá ainda associar-se aos 40 anos da revolução de abril de 1974 com três filmes em particular - embora o tema seja abordado noutros filmes da seleção: A comédia «Les grandes ondes à l'Ouest», de Lionel Baier, e os documentários «Outra forma de luta», de João Pinto Nogueira, e «Mudar de vida», de Pedro Fidalgo e Nelson Guerreiro, sobre o músico José Mário Branco.

Em parceria com o Museu do Chiado, Gulbenkian e galerias Zé dos Bois e Graça Brandão, o festival terá uma programação de filmes e vídeos em formato instalação.

O IndieLisboa 2014 acontecerá no cinema São Jorge, Culturgest, Cinema City Campo Pequeno e Cinemateca Portuguesa.