O festival de cinema Douro Film Harvest foi apresentado na segunda-feira, sem o anúncio de estrelas de cinema, com uma programação mais apostada na gastronomia e na enologia, e mais centrada na cidade do Porto, escreve a agência Lusa

Em edições passadas, foram convidados para este certame nomes como Sophia Loren, Andie MacDowell ou Bo Derek, mas desta vez Manuel Vaz, diretor de festival, sem nenhuma figura mediática para anunciar, afirmou que «a estrela este ano é a própria programação e o reforço nas experiências que nós temos oferta».

Entre as novidades desta 5ª edição, a decorrer entre 14 e 21 de setembro, está a Douro Village, um espaço com provas de vinho, demonstrações de cozinha e feira do livro temática, que será montada em frente ao Teatro Rivoli, onde decorrerá o grosso das exibições.

O restaurante Clérigos, no Passeio dos Clérigos, será outro espaço do festival para experimentar o que é designado pela organização como «cinema experience», com apresentação de filmes, tertúlias e jantares temáticos.

Com um orçamento de cerca de 100 mil euros (o mais baixo de sempre), o certame apresenta 24 filmes ligados à temática do vinho e da comida, todos em estreia nacional, e nesta edição vai prestar tributo ao realizador duriense João Botelho.

O festival arranca com uma pré-apresentação do seu programa Curtas da Casa em Provosende, Sabrosa, que com a Quinta do Portal, no mesmo concelho e a Quinta do Pôpa, em Tabuaço, perfazem os locais do interior duriense onde haverá projeção de cinema.

Os outros espaços serão o teatro municipal Rivoli e o edifício Axa, no Porto, onde será possível ver o Curtas da Casa, uma competição nacional de curtas-metragens com filmes que têm de ser rodados na região duriense ou no rio Douro e com argumento relacionado com os povos, as tradições, as tendências e o imaginário deste território.

Entre os filmes a ser exibidos destaque para «Jiro Dreams of Sushi», de David Gelb, um documentário sobre o mais famoso chef de sushi de Tóquio, Jiro Ono, e para «The Wine of Summer» que conta com Sónia Braga no elenco e que vai estar em estreia mundial no festival.

Entre os vários realizadores presentes, salienta-se a presença de Jonathan Nossiter, realizador de «Resident Alien» e de «Mondovino», documentário sobre o mundo da enologia que foi nomeado para a Palma de Ouro em Cannes. «Quo Vademus?», um episódio de uma série televisiva realizada por Nossiter, na sequência do sucesso de «Mondovino», será apresentado.

Na apresentação do festival, Manuel Vaz salientou que este é um «projeto privado» e defendeu a anterior aposta em estrelas do cinema, com a o facto de «a promoção externa» ser «obrigatória para o sucesso de um território».

A opção por concentrar o festival no Porto, depois de terem desaparecido alguns apoios na região duriense, foi também defendida por Manuel Vaz com a ideia de «que o Porto é a porta de entrada do Douro» e que «o Porto abre uma janela muito maior para o Douro», mas persistindo na ideia de que este é um «evento descentralizado».