A 21ª edição do Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde, que arranca neste sábado, é uma boa alternativa ao calor e tem propostas para todos os públicos garante Miguel Dias, um dos diretores.

«A primeira motivação para ir ao festival é uma razão climatérica: quando estiver frio a sala de cinema será um sítio agradável para passar as noites e se estiver este calor até é um bocado perigoso andar cá fora», afirmou com ironia Miguel Dias quando interrogado pela Lusa sobre boas razões para acorrer a este certame.

Claro que «a principal razão», admitiu, «é a programação diversificada, para todos os públicos» embora admita que o festival «às vezes tem uma aura de elitismo» que ele não entende.

«Nós vamos a todas, desde o cinema experimental até ao mainstream. Há música nos filmes concerto», há as exposições, há os filmes para criança, por isso há muitas razões para todas as pessoas poderem participar e encontrarem uma coisa do seu interesse», explicou.

Quanto à programação, para além da competição que arranca na terça-feira, Miguel Dias quis lembrar «pequenas pérolas que ficam esquecidas nos programas especiais», como são os casos da exposição «Film» e da retrospetiva do realizador americano Bill Morrison, que visa «recuperar a memória e o património histórico do cinema através da película».

Miguel Dias lembra ainda as longas-metragens da secção da «Da curta à longa» frisando «todas, sem exceção, embora seja obrigatório fazer uma menção à de Basílio da Cunha por ser a primeiro longa-metragem deste autor luso-suíço que faz os seus filmes em Portugal e porque já ganhou a competição do Curtas duas vezes no passado».

A 21.ª edição vai apresentar 207 filmes, sendo que 85 são de ficção, 52 de animação, 23 documentários, num total de 82 sessões de cinema, sendo que 55 das películas apresentadas são produção nacional. No setor da competição, o festival vai contar com 17 curtas na competição nacional, 34 internacionais, em representação de 21 países, e 25 experimentais, explicou a organização.

As produções nacionais são apoiadas pelo programa cultural O Estaleiro, que é desenvolvido pelo festival. Serão exibidos os filmes «Mahjong», realizado por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, sobre a «Chinatown» de Vila do Conde, «A Mãe e o Mar», de Gonçalo Tocha, um filme rodado na comunidade piscatória de Vila Chã, «De Onde os Pássaros Veem a Cidade», de André Tentúgal, e ainda «Fernando que ganhou um pássaro do mar», de Felipe Bragança e Helvécio Marins Jr.

«Quase tudo o que apresentamos é novíssimo e o que não é em primeira mão é suficiente desconhecido para valer a pena vir ver», afirmou Miguel Dias que lembrou que, em muitos casos, «esta é uma oportunidade única» para ver muitos dos filmes exibidos.