A estrela do cinema chinês Jackie Chan e o realizador Feng Xiaokang protagonizaram esta quinta-feira, no parlamento nacional chinês, um pedido pouco comum para a diminuição da censura, alegando que afeta os rendimentos monetários e a qualidade dos seus trabalhos.

Estes pedidos são ainda mais invulgares, tendo em conta que as duas estrelas também têm o cargo de assessores políticos do regime comunista.

O pedido foi feito no comité da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCh), reunido no Grande Palácio do Povo, quando célebres artistas que fazem parte deste órgão se queixaram aos líderes comunistas dos obstáculos na sua profissão devido à omnipresente censura.

«Não façam com que os realizadores tremam de medo a cada dia», disse Feng, diretor de filmes como «Um mundo sem Ladrões», «Assembleia» e «O Banquete», considerado um dos maiores realizadores do cinema chinês atual e que se rebelou quando alguns dos seus maiores êxitos comerciais quase se perderam com os cortes dos censores.

«Atualmente, acabar um filme depende dos censores... O seu patriotismo, o seu julgamento político e o seu gosto artístico são melhores do que os nossos», questionou Feng, citado pela versão na Internet do diário South China Morning Post, numa reunião que inicialmente iria ser de rotina, para a revisão de relatórios.

Jackie Chan, estrela do cinema de artes marciais e um dos atores chineses mais conhecidos internacionalmente, uniu-se às queixas, referindo que se um filme sofre muitos cortes da censura, o seu rendimento «sofrerá muito e tenderá a resultados desastrosos para os produtores».

Chan, que também realizou e produziu vários filmes, assegurou que alguns dos seus amigos da indústria do cinema arruinaram-se por esta razão.

«Se os filmes chineses não tomarem a sério a sua comercialização, dificilmente poderão superar Hollywood», sublinhou o ator, nascido em Hong Kong, conhecido na China pelas suas polémicas declarações aos meios de comunicação.

Feng lamentou que a China permita filmes norte-americanos como «Assalto ao Poder», em que a Casa Branca é destruída por terroristas, «algo aceitável para as autoridades chineses porque mostram que o capitalismo é caótico».

«No entanto, os filmes chineses não podem fazê-lo, porque pelos vistos não temos violência nem corrupção policial», ironizou o realizador.