«Filho de peixe sabe nadar»: é o mínimo que se pode dizer de Roman Coppola, o filho de Francis Ford Coppola, que, à semelhança da irmã, Sofia, também se quer afirmar como realizador.

Na passada semana, Roman esteve em Portugal, no Lisbon & Estoril Film Festival, para apresentar a segunda longa-metragem, «Dentro da Cabeça de Charles Swan III». Foi sobre essa comédia surreal, com estreia marcada para esta quinta-feira, que o cineasta falou ao Cinebox.

«Queria contar uma história sobre um tipo intratável. Achei que era engraçado retratar alguém com muita imaginação, que fosse fora deste mundo», contou Roman Coppola em entrevista.

A história de um designer gráfico com vida de playboy, numa Los Angeles psicadélica dos anos 1970, tem como protagonista Charlie Sheen, amigo de longa data do realizador.

«O Charlie é alguém que conheço há muito tempo, porque éramos os dois rapazes na altura da rodagem do "Apocalypse Now", e fomos sempre amigos. Quando se conhece alguém com aquela idade, é uma coisa importante que se mantém», explicou.

Na verdade, Roman Coppola preencheu boa parte do elenco com a «prata da casa» - Bill Murray é um velho amigo, Jason Schwartzman faz parte da família Coppola, e Patricia Arquette também. Foi como se fosse «um filme caseiro», admitiu Roman.

«Foi rodado de forma muito modesta, filmei-o em minha casa, usei muita coisa minha, os meus carros... Muitas das roupas que o Charlie usa no filme são minhas. Por isso, houve um espírito de filme caseiro.»

E tal como acontece nos filmes da irmã, Sofia, para Roman Coppola a música do filme é muito importante: «Eu venho do mundo dos videoclips de música. E fiz muitas coisas em que as ideias me vieram através da música. Isso é uma parte muito importante para mim».

Num dos momentos musicais deste «Dentro da Cabeça de Charles Swan III», Charlie Sheen chega mesmo a cantar em português do Brasil. «Ele não costuma cantar, foi precisa muita coragem para ele fazer isso», recordou o realizador.

«Quando propus o papel ao Charlie, houve várias coisas que lhe pedi para fazer: uma era andar a cavalo, outra era fazer sapateado, e outra era cantar - e logo em português! Devo confessar que tivemos de escrever a letra em cartões porque a língua é tão misteriosa para nós que ele precisou dessa ajuda.»