Por: Redacção / Pedro Calhau | 14- 11- 2009 23: 27
Não é um filme de terror, mas às vezes parece. Não pelo sangue que escasseia, mas por aquilo a que são sujeitas três pessoas,
mesmo que não o saibam. O terror está em relação a quem está para além daqueles muros que confinam esses três filhos a um
mundo que só ali existe. É assim «Dogtooth», de Yorgos Lanthimos, visto este sábado já ostentando o Grande Prémio do Estoril
Film Festival`09.
Lanthimos cria até ao absurdo um modelo de educação super-protector a tal ponto que não dá hipótese
de escolha a quem é educado. O que não se chega a perceber muito bem são as motivações daqueles pais em dar tal educação quando
o seu comportamento é divergente do que impõem - será por isso mesmo?...
De absurdo em absurdo, como muitas vezes
acontece, o terror transforma-se em comédia neste quadro irónico levado ao extremo por um pai e uma mãe (sobretudo ele) que
mantêm os filhos na redoma da sua casa moldando o que serão literalmente crianças grandes, pois já têm aparência de adultos.
As
perguntas teriam de começar em alguma idade - Lanthimos esperou por esta. São questões que ficam como paralelas num filme
que se for levado com boa disposição até diverte em alguns momentos. O problema é que quando se pensa no que está a
acontecer a coisa fica séria - como tantas vezes fica com o cinema europeu e a sua tendência para fazer melhores filmes quanto
maior for a sua dose de crueldade...
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