A direção do Festival Internacional de Cinema DocLisboa anunciou esta quarta-feira que a 11ª edição vai exibir, em outubro e novembro, um total de 244 filmes de 40 países, «num momento de luta pela defesa do cinema em Portugal».

A programação completa do festival foi apresenta numa conferência de imprensa realizada na Culturgest, em Lisboa, com a presença da direção, composta por Cinta Pelejà, Cíntia Gil e Susana de Sousa Dias, e ainda pelo crítico de cinema e programador do festival Augusto M. Seabra.

Também estiveram presentes na apresentação Miguel Lobo Antunes, administrador da Culturgest, Catarina Vaz Pinto, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Lisboa, e Luís Miguel Oliveira, da Cinemateca Portuguesa, em representação daquelas entidades enquanto parceiras do festival dedicado ao documentário.

O certame vai decorrer entre 24 de outubro e 3 de novembro em dez espaços de exibição, não apenas em Lisboa, mas também em Almada, saindo pela primeira vez da capital.

Serão exibidas 123 longas-metragens e 121 curtas-metragens e atribuídos 12 prémios em competição internacional e nacional.

Nesta 11ª edição, o evento contará com 46 filmes portugueses, 42 primeiras obras, 36 estreias mundiais, cinco estreias internacionais e uma estreia europeia.

«E Agora? Lembra-me» na competição internacional do DocLisboa

Na conferência de imprensa, a direção recordou que a edição do ano passado - que assinalava uma década de vida do certame - tinha sido «de resistência» e irá continuar este ano a ter esse caráter porque «existe o fantasma, cada vez mais real, da aniquilação do cinema em Portugal».

«Está em causa um património passado e futuro. Entendemos que, neste momento, cada filme que se faz em Portugal é verdadeiramente um ato de resistência, contendo uma extraordinária força política e ética», sublinhou Susana de Sousa Dias.

A realizadora considerou ainda que se 2012 foi o «ano zero» do apoio à produção de cinema português, a falta de financiamento «poderá gerar vários anos zero», referindo-se à situação denunciada há uma semana pela Associação de Produtores de Cinema e Audiovisual (APCA).

A associação pediu uma resposta política para o pagamento em falta de uma taxa pelos operadores de televisão por subscrição prevista na nova Lei do Cinema.

Neste quadro de luta pela defesa do cinema, a direção do DocLisboa disse pretender com esta 11ª edição, «não apenas mostrar e discutir os filmes, mas também celebrar a força de ação e da criação cinematográfica».

«Temos profunda confiança na capacidade dos filmes mudarem o mundo», sublinhou a equipa da direção.

Em declarações à agência Lusa, Cinta Pelejà confirmou que se irá manter vazia a cadeira do realizador iraniano Mohammad Rasoulof, convidado a presidir ao júri internacional, mas impedido de deixar o Irão para viajar até Lisboa.

«As autoridades iranianas confiscaram o passaporte do realizador e ele não poderá deixar o país», indicou.

No entanto, no encerramento do festival será exibido o filme ainda inédito em Portugal «Dast-Neveshtehaa Nemisoosand» («Manuscripts Don't Burn»), que conta a história de um autor iraniano que consegue escrever em segredo as suas memórias como preso político.

Apesar de não poder estar presente, a cadeira que lhe era reservada vai ser mantida «como denúncia da situação de Mohammad Rasoulof e em defesa da liberdade de expressão», disse Cinta Pelejá.

Na sessão de abertura do Festival DocLisboa vai ser exibido o filme «Pays Barbare», de Yervant Gianikian e Angela Ricci Luchi (França).

A programação completa do festival pode ser consultada em DocLisboa.org.