Os representantes dos realizadores de cinema de animação, dos técnicos de cinema e audiovisual e dos cineclubes e festivais pediram a demissão da Secção Especializada de Cinema e Audiovisual (SECA), por causa da escolha de júris dos concursos para 2015. Alegam que existe «tráfico de influências» no órgão consultivo.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a estas estruturas demissionárias juntam-se ainda o produtor Luís Urbano, o realizador Manuel Mozos e a Associação Portuguesa de Realizadores (APR), que já tinha anunciado a demissão daquele órgão consultivo.

As seis entidades e personalidades demissionárias reúnem-se na sexta-feira à tarde, em Lisboa, para formalizar o pedido de «demissão em bloco» e exigir uma audiência com o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.

Todos eles surgem entre os signatários de um documento coletivo que critica o funcionamento da SECA, que será lido hoje à noite, no Cinema São Jorge, na estreia do filme «João Bénard da Costa - Outros amarão as coisas que eu amei», de Manuel Mozos, no DocLisboa.

Aqueles membros da SECA falam em «tráfico de influências» naquele órgão consultivo e dizem que a «transparência do processo [escolha de júris de concursos de apoios financeiros] só pode ser assegurada por uma entidade que não possa tirar vantagens dos resultados», ou seja o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).

O realizador João Salaviza, da direção da APR, já tinha afirmado hoje à agência Lusa que a escolha de júris está inquinada, porque alegadamente houve uma combinação antecipada de votos tendo em vista a escolha de determinadas pessoas.

«É difícil dizer se o que fizeram é ou não legal, mas perverte o espírito da lei e põe em causa a diversidade e a independência dos concursos. Não queremos participar nesses esquemas nem sujar as nossas mãos», afirmou João Salaviza.

A SECA é uma das secções do Conselho Nacional de Cultura, um órgão consultivo criado para apoiar a secretaria de Estado da Cultura na «definição, estratégia e desenvolvimento das políticas culturais», lê-se no decreto-lei.

A aprovação das listas de júris faz parte do processo de elaboração do plano anual de concursos de apoios financeiros atribuídos pelo ICA.

Contactada pela Lusa a propósito destes pedidos de demissão, a assessoria da secretaria de Estado da Cultura remeteu explicações para o ICA, que preside àquela secção especializada, adiantando apenas que o calendário dos concursos de 2015 será publicado ainda este ano.

A Secção Especializada de Cinema e Audiovisual integra, por lei, representantes de várias áreas do cinema e audiovisual, como operadores de televisão, exibidores, produtores, argumentistas, técnicos, realizadores, a Cinemateca Portuguesa, a Inspeção-Geral das Atividades Culturais e o Instituto do Cinema e Audiovisual.