O realizador e artista alemão Harun Farocki, faleceu na quarta-feira, aos 70 anos, nos arredores de Berlim, anunciou, esta quinta-feira, o festival de cinema DocLisboa, que lhe dedicou uma retrospetiva e uma exposição, em 2011.

Nascido em 1944, em Neutitschein, hoje República Checa, Harun Farocki vivia há mais de 40 anos em Berlim, trabalhando no cinema e em videoarte, tendo criado cerca de uma centena de filmes para cinema e televisão.

A família do artista e a galeria com que trabalhava desde 2007, em Berlim, a Ropac, anunciaram hoje a morte de Farocki aos meios de comunicação na Alemanha.

Harun Farocki estudou na Academia Alemã do Cinema e da Televisão, entre 1966 e 1968, desenvolvendo um estilo próprio de fazer documentário que era profundamente crítico dos media e das formas como as imagens modelaram a vida atual e a ideologia.

Nos anos 1970, Harocki foi editor da publicação de cinema Filmkritik, com sede em Munique, e mudou-se nos anos 1990 para a Califórnia, nos Estados Unidos, onde deu aulas na Universidade de Berkeley.

A partir de 2000 envolveu-se mais no mundo da arte, tendo apresentado exposições a solo em museus como o Museu de Arte Moderna de Tel Aviv, o MoMA, em Nova Iorque, o Museu Ludwig, em Colónia, e a Tate Modern, em Londres.

Em 2011, na capital portuguesa, durante o festival de cinema documental DocLisboa, Farocki realizou uma masterclass e, em 2013, o filme «A New Product» esteve na competição internacional de curtas-metragens.

Este ano, segundo o DocLisboa, já estava prevista a apresentação da sua última longa-metragem, «Sauerbruch Hutton Architekten», resultado do acompanhamento do trabalho do gabinete de arquitetura de Matthias Sauerbruch e Louisa Hutton, em Berlim, que será agora apresentada enquanto homenagem a Harun Farocki.

«É com a mais profunda consternação que o Doclisboa tomou conhecimento da morte de Harun Farocki», lamenta a direção do certame, em comunicado.