O presidente honorário do Festival de Cannes, Gilles Jacob, amigo e admirador da arte de Manoel de Oliveira, afirmou o seu pesar com a morte e disse sentir-se «um órfão».

«Tristeza. O meu querido Manoel morreu. Manoel de Oliveira tinha 106 anos e eu fiquei órfão como todo o cinema mundial. Ele era um cavalheiro», afirma Jacob, o presidente honorário do festival, na sua conta na rede social Twitter.
 
«Passados os cem anos, tínhamo-nos acostumado à ideia de que Manoel nunca desapareceria», disse Jacob, de 84 anos, que, em 2008, entregou ao realizador português a Palma de Ouro pela carreira do cineasta português.
 
Fica a obra, é certo, «mas ficou claro que ele também» seria eterno, disse Jacob, que, durante seu longo mandato como selecionador dos filmes do Festival, estreou muitos da «criação prolífica» de Manoel de Oliveira.

«E sim, Manoel, voltaste a casa», disse Gilles Jacob, lembrando «o título simbólico do belo filme "Vou para casa"» que Oliveira rodou com Michel Piccoli e Catherine Deneuve.
 

Oliveira criou um «sketch» para o filme «Chacun son cinéma», disse Jacob, que em 2007 reuniu 33 curtas-metragens de 35 cineastas para celebrar a 60.º edição do Festival.

«Manoel era o único cineasta daquele grupo que tinha trabalhado nos tempos do cinema mudo», disse Jacob, que mostrou uma foto do realizador seu amigo, em Cannes, com a mulher, Maria Isabel, a quem transmitiu já as suas condolências.
 
Em 2008, Jacob agradeceu - e agradecer foi o verbo escolhido pelo presidente do festival -, com a Palma de Ouro, a contribuição de Oliveira para a Sétima Arte, o seu trabalho «sempre imprevisível», o seu «mistério de frescor e vitalidade», a sua «modéstia lendária» e, «de certa maneira, [o facto de ser] o último pioneiro», disse Jacob, recordando a criação do cineasta em filmes mudos.

Gilles Jacob dirigiu o festival de Cannes de 2001 a 2014, permanecendo como presidente honorário do certame, ao qual se mantém ligado desde 1978, sempre com responsabilidades ao nível da programação.