O ator José Wilker, de 66 anos, morreu este sábado de manhã, na sua casa, no Rio de Janeiro, vítima de enfarte. O ator deixa duas filhas.

Bastante conhecido do público português, José Wilker fez a última participação numa telenovela em «Amor à Vida», em 2013. Já em 2012, ficou popularizado pelo papel de Coronel Jesuíno, em «Gabriela, Cravo e Canela».

O velório de José Wilker vai acontecer no Teatro Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Depois do velório, que terminará no domingo às 15 horas (19 horas em Lisboa) o corpo será cremado, ao final da tarde.

José Wilker de Almeida nasceu em Juazeiro do Norte, a 20 de agosto de 1946, e mudou-se com a família, ainda criança, para o Recife.

A carreira no teatro começou no Movimento Popular de Cultura (MPC) do Partido Comunista, onde dirigiu espetáculos pelo sertão e realizou documentários sobre cultura popular.

Em 1967, José Wilker vai para o Rio de Janeiro estudar Sociologia, mas abandonou o curso para se dedicar exclusivamente ao teatro.

Em 1970 ganhou o prémio «Molière», de melhor ator, pela sua interpretação na peça «O arquiteto e o imperador da Assínia», de Fernando Arrabal, tendo sido convidado pelo escritor Dias Gomes para integrar o elenco de «Bandeira 2», a sua primeira interpretação em telenovela e que data de 1971.

Mundinho Falcão, a personagem que interpretou em 1975 na telenovela «Gabriela, Cravo e Canela», uma adaptação de Walter George Durst do romance de Jorge Amado, foi um marco na carreira de José Wilker e na teledramaturgia brasileira, segundo os especialistas brasileiros.

Um ano depois entraria também no filme «Dona Flor e seus Dois Maridos», em que também contracenou com Sónia Braga.

Interpretou também a personagem Rodrigo, da telenovela «Anjo Mau» (1976), de Cassiano Gabu Mendes, mas foi a de Roque Santeiro, personagem central da telenovela homónima escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva e gravada em 1985, que lhe granjeou maior fama.

Entre 1997 e 2002 dirigiu grande parte dos episódios de «Sai de Baixo».

«Senhora do Destino» e a minissérie «JK» sobre o presidente Juscelino Kubitschek foram outras das séries em que participou.

Em 2012, José Wilker integrou ainda o elenco da reposição da telenovela «Gabriela, Cravo e Canela», tendo interpretado o personagem Jesuíno Mendonça.

Em 2013 participa na novela «Amor à Vida».

No cinema contam-se interpretações em filmes como «Os inconfidentes», «O homem de capa preta», «Dona Flor e seus dois maridos», «Guerra de canudos», «Xica da Silva», «Bye, bye Brasil», entre outros.

Minisséries como «Anos Rebeldes», «Agosto» e «A muralha» foram outros dos trabalhos que contaram com interpretações de José Wilker.

O ator escreveu ainda textos para revistas e jornais, foi diretor da Riofilme e comentou a cerimónia dos óscares durante vários anos.

Em Portugal, o ator celebrizou-se também em novelas como «Fera Ferida» (1993), «A Próxima Vítima» (1995), «Suave Veneno» (1999) e «Desejos de Mulher» (2002).

Numa entrevista à Lusa em 2011, José Wilker, convidado especial da 3.ª Edição do Douro Film Harvest, o ator diminuiu os efeitos que a crise financeira pode causar na produção artística portuguesa e previu um cenário ainda mais criativo durante a turbulência económica.

«Em relação à cultura e ao cinema em particular, com exceção de talvez um país, o normal, o comum, o diário, é que se viva em crise e é isso que faz a gente ir bem, porque a gente cria mais e melhor quando em crise», defendeu, na altura.

Com 49 filmes e 29 telenovelas em seu extenso currículo, Wilker também enfrentou momentos complicados no cinema brasileiro que, disse na altura, «está permanentemente em crise».

O ator viveu um ano em Portugal, na década de 90, quando filmou, a convite de João Canijo, ao lado de Rita Blanco, a longa-metragem «Filha da Mãe».