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A curta-metragem «Rafa», de João Salaviza, venceu o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim. Miguel Gomes ganhou o Prémio de Inovação, com «Tabu» .
A obra do jovem realizador português João Salaviza estava a concurso na 62.ª edição da Berlinale com 26 outras curtas.
«Rafa» conta a história de um rapaz de 13 anos que vive na Margem Sul e vai para Lisboa à procura da mãe, detida numa esquadra da polícia.
Em 2009, o realizador venceu a Palma de Ouro em Cannes, também com uma uma curta-metragem ("Arena").
Antes do festival de Berlim, João Salaviza esteve na TVI24, onde falou sobre o sua obra (veja aqui a entrevista).
«Muito Surpreendido»
Em declarações à Lusa, João Salaviza começou por dizer que estava «muito surpreendido e que teria preparado um discurso bonito se soubesse que ia ganhar».
No seu agradecimento, perante 1600 espetadores, disse ainda que dedicaria o prémio ao Governo português.
«Mas só na condição de nos ajudarem nos próximos anos, porque não sabemos o que vai acontecer com o nosso cinema», sublinhou.
João Salaviza destacou ainda o trabalho do protagonista do filme, Rodrigo Perdigão.
«Ele fez mais do que eu pelo filme», mas não pode estar presente em Berlim. A terminar, dedicou ainda o prémio à família.
«Amo-vos muito», disse o jovem cineasta português, que já tinha ganho a Palma de Ouro das curtas-metragens em Cannes, com «Arena», em 2009.
A curta-metragem foi aplaudida na sua estreia mundial em Berlim, na quarta-feira passada.
O júri formado, pela actriz palestiniana Emily Jacir, pelo cineasta irlandês David Oreilly e pela actriz alemã Sandra Hueller, destacou a «impressionante representação» de Rodrigo Perdigão, «no papel de um jovem a caminho de se tornar adulto».
Irmãos Taviani vencem prémio principal
O Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim foi atribuído a «Cesare Deve Morrire», dos irmãos italianos Paolo e Vittorio Taviani.
O filme acompanha a encenação de «Júlio César», de William Shakespeare, por detidos numa prisão de alta segurança de Roma.
O realizador húngaro Bence Fligauf recebeu o Urso de Prata por «Csak a Szél» («Just the Wind»), já o alemão Christian Petzold foi distinguido com o Urso de Prata de Melhor Realizador com «Barbara», um filme passado na ex-Alemanha comunista.
O Urso de Prata de Melhor Actriz foi atribuído à zambiana Rachel Mwanza, pelo papel que interpreta em «Rebelle», de Kim Nguyen, e o de Melhor Actor foi para o dinamarquês Mikkel Boe Følsgaard, em «En Kongelig Affære» («A Royal Affair») de Nikolaj Arcel.
O filme do dinamarquês Nikolaj Arcel foi ainda distinguido com o Urso de Prata de Melhor Argumento, escrito pelo próprio realizador em conjunto com Rasmus Heisterberg
O Urso de Prata por obra artística de relevo foi atribuído ao diretor de fotografia alemão Lutz Reitemeier pelo trabalho desenvolvido em «Bai lu yuan» (White Deer Plain), de Wang Quan`na.
O prémio especial do Júri foi atribuído a «L`Enfant d`en Haut», da realizadora franco-suiça Ursula Meier.