A atriz Fernanda Montemor, falecida  esta quinta-feira em Lisboa, recebeu em 2006 a Medalha de Mérito Artístico do Ministério da Cultura, quando estava em cena no Nacional D. Maria II a peça «A mais velha profissão do mundo».

Fernanda Janeira de Sobral Pereira, de seu nome completo, nasceu há 81 anos em Sernancelhe, na Beira Alta, e morreu esta madrugada, em Lisboa, segundo a família.

A atriz fez o curso de Teatro do Conservatório Nacional e, segundo o Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, começou a trabalhar em 1951, no Teatro da Mocidade Portuguesa, na peça «A cigarra e a formiga», de Fernando Paços, em que contracenou com António Couto Viana e Luís Horta.

Profissionalmente estreou-se no Teatro Ginásio, em Lisboa, na companhia Alves da Cunha, na década de 1950, integrou depois o Teatro do Povo, dirigido por Francisco Ribeiro (Ribeirinho). Entre 1956 e 1958, fez parte do Teatro do Gerifalto, dirigido por Couto Viana, e trabalhou também no Teatro Trindade, em Lisboa, com Orlando Vitorino e Azinhal Abelho.

Na década de 1960, fez parte, entre outras, da Companhia Nacional de Teatro e, na década seguinte, a partir de 1973, esteve no elenco do Teatro Estúdio de Lisboa, dirigido por Luzia Maria Martins, com interpretações em peças de Edward Bond, Luzia Maria Martins, David Hare, Vaclav Havel, Edward Albee, Simon Gray e Lillian Helmann.

Trabalhou com encenadores como Artur Ramos, Adolfo Marsillach, Fernando Gusmão, Peter Kleiwert e Peter Shroeder, Joaquim Benite, João Lourenço, Xosé Blanco Gil, Fernanda Lapa, António Feio e Castro Guedes, Jorge Silva Melo e Alberto Seixas Santos, tendo passado por companhias como o Grupo de Campolide, Grupo 4/Teatro Aberto, Companhia Teatral, Teatro Ibérico e Artistas Unidos.

Em 1993, fez parte do Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (ACARTE) e, no ano seguinte, iniciou uma colaboração, por seis temporadas, com o Teatro Infantil de Lisboa, sob direção de Fernando Gomes.

Entre finais da década de 1990 e a seguinte esteve nos elencos de «Hedda Gabler», de Ibsen, com encenação de Juvenal Garcês, «Elefantes no jardim», de Virgílio Almeida, com encenação de Teresa Sobral, «Night Mother», de Marsha Norman, levada à cena por Celso Cleto, no Nacional D. Maria II, «A relíquia», encenada por Miguel de Abreu, no grupo Cassefaz, e ainda “Dois irmãos”, de Fausto Paravidino, «Tão só o fim do mundo», de Jean-Luc Lagarce, e «Os irmãos Geboers», de Arne Sierens, estas últimas nos Artistas Unidos, entre 2004 e 2005.

Entre finais de 2005 e o primeiro trimestre de 2006, no Nacional D. Maria II, fez parte do elenco de «A mais velha profissão do mundo», de Paula Vogel, com encenação de Fernanda Lapa, numa coprodução com a Escola de Mulheres, na qual contracenou com Maria José, Glória de Matos, Lia Gama e Lourdes Norberto

No âmbito desta peça, na véspera do Dia Mundial do Teatro, precisamente há nove anos, recebeu a Medalha de Mérito Artístico, que lhe foi entregue pela então ministra da Cultura Isabel Pires de Lima.

Fernanda Montemor foi uma das pioneiras da televisão em Portugal, tendo interpretado, em direto, várias peças de teatro, nomeadamente textos de Synge, Dickens, Molière, Marivaux, Vasco Mendonça Alves, Gil Vicente, Ricardo Alberty, William Shakespeare, Jean Giraudoux, Ben Jonson e Marcel Pagnol.

Entrou nas séries «Zé Gato» e «Duarte & Cia.», de Rogério Ceitil, em que contracenou entre outros, com António Assunção, Canto e Castro, Paula Mora e Rui Mendes. No programa infantil «Rua Sésamo», encarnou a Avó Xica. Em 2002, fez uma participação na telenovela «Amanhecer», de Tozé Martinho e, em 2010, na série histórica «Noite Sangrenta», de Tiago Guedes e Frederico Serra.

No cinema participou em «O trigo e o joio» (1965), de Manuel Guimarães, filme com argumento de Fernando Namora, sobre o seu próprio romance homónimo, recorda a Lusa.