Alguns cooperantes da Cinema Novo, entidade que organiza o Fantasporto, anunciaram a intenção de apresenta queixa contra o diretor Mário Dorminsky por «difamação e ameaças», escreve a agência Lusa.

Entre estes cooperantes está António Reis que compartilhava a direção do festival com Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira, casal que recentemente foi objeto de denúncias de gestão irregular da cooperativa na revista «Visão».

Em causa está agora um email de Mário Dorminsky, em que são feitas acusações a vários cooperantes, entre eles António Reis, que, ao terem acesso à missiva, decidiram não comparecer, na quarta-feira, à assembleia-geral da cooperativa.

O email, a que Lusa teve acesso, é dirigido por Dorminsky ao responsável de uma publicação de ficção científica espanhola que costuma ser presença no festival. Nele, Mário Dorminsky fala de «"amigos" de há muitos, muitos anos» que o traíram, numa referência às notícias saídas na «Visão».

Tais notícias fazem «parte de uma trama política, também ela complicada, em que eles foram manobrados por gente que manda neste país e que não me queria a mim e à Beatriz, na Câmara do Porto», escreve o diretor.

O email, onde há acusações de roubo de documentação, acaba com esta afirmação: «Pena é que muitas coisas feias e desnecessárias vão começar a acontecer àqueles que chamávamos de amigos».

Tendo tido acesso a este email, alguns dos cooperantes referidos - António Reis, Ricardo Clara, César Nóbrega e Nuno Reis - comunicaram ao presidente da Assembleia Geral que consideravam não estarem «reunidas as condições suficientes» para comparecer à reunião, sem antes apurarem «a seriedade dessas ameaças e as suas reais intenções para as nossas pessoas». Estão agora a reunir matéria para uma queixa-crime contra Mário Dorminsky.

«A imagem do Fantasporto está a ser duramente afetada»

À agência Lusa, Mário Dorminsky não quis comentar as acusações de outros cooperantes, remetendo qualquer esclarecimento para o seu advogado, que afirmou ainda não ter ainda conhecimento da situação.

Segundo o diretor do festival, as questões levantadas pela «Visão» não constavam da agenda da Assembleia Geral, mas «a situação da cooperativa foi explicada de uma forma clara».

Segundo Mário Dorminsky compareceram à assembleia 21 associados que votaram por unanimidade a substituição de duas pessoas nos corpos gerentes e alterações aos estatutos da cooperativa, entre outros pontos.

Tanto António Reis como Ricardo Clara, questionados pela Lusa, estranharam a existência de 21 associados já que até há bem pouco tempo só conheciam 16 cooperantes. Mário Dorminsky esclareceu que «a direção tem estatutariamente todo o direito de aceitar, por propostas de dois sócios, qualquer novo sócio e foi isso que aconteceu ao longo dos últimos meses».

Segundo o diretor do festival atualmente a Cinema Novo terá 29 cooperantes.

A revista «Visão» avançou em setembro que o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) recebeu uma denúncia dando conta de eventuais ilegalidades na organização do festival de cinema Fantasporto, nomeadamente fuga ao IVA e falsificação do número de espetadores.

Reagindo numa mensagem enviada à agência Lusa, Mário Dorminsky garantiu que «nunca foi cometida qualquer ilegalidade na gestão da Cinema Novo», mas, segundo a Procuradoria-Geral da República, o Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto vai abrir um inquérito à gestão da cooperativa Cinema Novo, que organiza o festival.