Os cientistas estão a apelidar de “amnésia digital” a fraca capacidade de reter informações, devido ao uso dos smartphones e do Google. Segundo um estudo realizado em Inglaterra, a capacidade média de atenção, nos seres-humanos, tem descrescido desde o início da revolução tecnológica dos telemóveis.

O laboratório de Kaspersky revelou que os resultados mostram que metade dos adultos não se lembra do número do telemóvel do parceiro e mais de 70% não sabe o contato telefónico dos filhos. Metade dos adolescentes entre os 16 e os 24 anos afirmaram que os seus smartphones contêm quase toda a informação que precisam de saber ou recordar.

Esta tendência de armazenar contatos e informações importantes somente nos dispositivos digitais tem transformado o seu nível de importância e a arquitetura dos nossos cérebros.

“Temos de perceber as implicações a longo prazo disto para a nossa memória e como podemos proteger as nossas recordações”, afirmou David Emm, cientista na laboratório de Kaspersky. “Os números de telefone daqueles que nos são mais queridos estão agora a um clique de distânica – por isso já não nos importamos a fixar os detalhes”.


Katheryn Mills, do Instituto de Neurociência Cognitiva, foi mais longe e comparou o acesso à Internet no mundo ocidental com o acesso a água potável e a luz em muitas sociedades.

“O ato de esquecer não é inerentemente mau. Somos criaturas que se adaptam e não nos lembramos de tudo porque não é uma vantagem. Mas esquecer torna-se mau quando involve perder informação que precisamos de reter”, assegurou, acrescentando que a confiança nos meios digitais ajudou o nosso cérebro a colocar menos ênfase na capacidade de memorizar.


Segundo o The Telegraph, os resultados vão de encontro a um estudo da Microsoft, publicado no início de 2015, que concluiu que a capacidade de atenção média, nos humanos, desceu de 12 segundos, em 2000, para oito segundos. Os resultados foram ligados à evolução dos telemóveis: quanto melhor se torna a tecnologia, pior é a memória e a capacidade de estar atento.

Para além disto, o estudo revelou que as pessoas que passam mais tempo online e que adotam mais cedo a tecnologia têm mais dificuldade em concentrar-se.

Num estudo de 2012, 70% dos 400 professores questionados, no Reino Unido, afirmaram que a atenção dos alunos era cada vez menor e 95% destes disseram que os estudantes preferiam usar a Internet do que ler livros.