De acordo com o «Correio da Manhã», por mera comparação, o lucro consolidado do Grupo CGD cresceu, no ano passado, apenas 2,1%, atingindo 667,3 milhões de euros, um crescimento muito inferior à subida das despesas com os órgãos sociais.

Um documento, a que o CM teve acesso, deixa claro que o discurso da contenção salarial, defendido à exaustão nos últimos dois anos e que levou ao congelamento dos salários na função pública, esteve longe de ser aplicado nos membros dos órgãos sociais da CGD, da qual o Estado é o único accionista. Mesmo com a economia portuguesa marcada pela pior recessão dos últimos dez anos, em 2003, o salário base dos nove administradores, dos três elementos da mesa da assembleia-geral e do único membro do conselho fiscal da CGD aumentou cerca de seis por cento.

Em 2003, a CGD gastou com os treze membros dos órgãos sociais, de que António de Sousa era o presidente do conselho de administração, um valor ligeiramente acima de três milhões de euros, quando tinha despendido 2,1 milhões de euros no ano anterior. Só em salários directos, que incluem salário base, subsídios e prémios regulares, foram gastos, no ano passado, 1,9 milhões de euros, contra 1,8 milhões de euros em 2002.

O CM tentou saber junto do Ministério das Finanças e da CGD o valor dos salários mensais dos administradores do banco público, mas ambas as partes recusaram-se a revelar os montantes.

Entretanto, os partidos da oposição já pediram a presença de Bagão Félix no Parlamento para explicar as nomeações de Celeste Cardona, João Freixa (ex-presidente da Bolsa), Norberto Rosa (ex-secretário de Estado) e Gracinda Raposo para a CGD.

Celeste Cardona deverá ganhar como administradora da CGD, pelo menos, mais do dobro do que ganhava como ministra da Justiça. Como governante tinha um vencimento médio da ordem dos seis mil euros por mês. Pelas contas do CM, a partir dos custos da CGD com os órgãos sociais em 2003, terá um salário mensal de, pelo menos, 12.500 euros.