Jerónimo de Sousa acusou o Governo de ter "atirado para a morte milhares de portugueses" com uma política "assassina" no setor da saúde. As acusações do secretário-geral do PCP foram feitas no comício de campanha da CDU desta sexta-feira à noite, que decorreu no Teatro Municipal de Faro.  

"O processo de transferência da prestação de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para as mãos dos privados atingiu nos últimos anos uma dimensão nunca vista, afetando gravemente o direito à saúde dos portugueses", disse Jerónimo de Sousa, perante uma sala com os mais de 780 lugares ocupados. 


Para o líder comunista, o último Governo foi responsável por uma  "uma política de destruição do SNS" e de "negação do acesso aos cuidados de saúde". O objetivo, diz, é "servir a privatização e os interesses dos grupos económicos."

"Assim se percebe a notícia recente, de que nunca se tinha gasto tanto em seguros de saúde como nos primeiros meses do ano, 340 milhões de euros", exemplificou, realçando os lucros de "30 por cento para as seguradoras" e a "duplicação" de consultas de que beneficiaram os hospitais privados na última década.


"Isto é um autêntico maná", afirmou, para depois explicar o processo de funcionamento deste "grande negócio":  "Aos privados, que têm uma lógica de funcionamento centrada na doença, interessa a prestação de cuidados, o Estado fornece os clientes e paga, e pelos vistos muito bem, porque fez disparar as receitas dos grandes grupos privados para valores que em 2014 foram superiores a 1200 milhões de euros". 

Jerónimo de Sousa recusou ainda as explicações para os cortes na saúde, considerando-os uma falácia e uma mentira.

"O Governo dos arautos do Estado mínimo diz que não há dinheiro, mas isso é uma aldrabice. O que querem é implementar um sistema de saúde a duas velocidades", argumentou, explicando que haverá uma velocidade "para quem pode pagar" e outra "para aqueles que menos têm, de difícil acesso e apenas nas prestações mínimas garantidas." 


Para o líder comunista, as políticas do atual governo estão a "transformar a saúde numa mercadoria e num negócio", à custa de "vidas". 

"Estamos perante uma política assassina. Não há outra caracterização possível", defendeu. "Essa política é responsável por atirar para morte antecipada milhares de portugueses."