O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, considerou esta quarta-feira em Maputo que Moçambique é uma prioridade da política externa portuguesa e que as relações entre os dois países são excelentes, mas podem ser aprofundadas.

«Moçambique é uma prioridade da nossa política externa, as relações políticas são excelentes e conhecem um dinamismo bastante forte», disse o Presidente da República, durante um encontro com alguns dos principais empresários portugueses em Moçambique.


Acompanhado pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira, Cavaco Silva iniciou hoje a agenda de três dias de visita a Maputo, onde deverá ser, na quinta-feira, o único chefe de Estado não africano a assistir à investidura do novo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

«O facto estar aqui acompanhado pelo vice-primeiro-ministro e pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros é testemunho da importância que atribuímos às relações com Moçambique, relações de amizade que queremos aprofundar», declarou, considerando que se trata de «um momento importante para a vida do país».


Lembrando a cimeira luso-moçambicana, realizada em Maputo em 2014, a língua e história comuns, o chefe de Estado referiu-se também, sem especificar, a «problemas do passado» entretanto ultrapassados e a «progressos significativos» nas relações entre os dois países.

«Entrámos numa trajetória de grande abertura para o desenvolvimento das relações políticas, mas também das relações económicas, comerciais, relações de investimento e constituição de parcerias», afirmou Cavaco Silva, acrescentando que essa constatação foi partilhada pelo chefe de Estado moçambicano cessante, Armando Guebuza, num encontro no palácio da presidência.

O Presidente da República abordou também a situação política em Moçambique, declarando que «Portugal apoia fortemente a consolidação da paz» e apelando ao diálogo, numa referência ao não reconhecimento pela Renamo, principal partido de oposição moçambicano, dos resultados das eleições gerais de 15 de outubro, alegando fraude, após quase dois anos de confrontações militares na região centro do país.

«Portugal apoiou o acordo que foi assinado [entre Governo e Renamo, a 05 de setembro] para a cessação das hostilidades, fazemos parte da equipa militar que acompanha a implementação desse acordo», lembrou.

Aos empresários presentes no encontro hoje em Maputo, Cavaco Silva observou que «é fundamental a internacionalização das empresas portuguesas" e pediu-lhes, nesta nova fase do país», que possam «dar a mão» a outras de dimensão menor para entrar no mercado moçambicano.

Portugal, recordou cavaco Silva, está entre os três principais investidores em Moçambique e os empresários portugueses são os que criam mais emprego.

No encontro, só aberto à imprensa durante a intervenção de Cavaco Silva, estiveram presentes empresários da Portucel, Galp, REN, Visabeira, JFS, Millennium BIM, Teixeira Duarte, Entreposto, Soares da Costa e Sumol+Compal.

Antes do encontro com os empresários portugueses, Cavaco Silva visitou a empresa Mozambique Cotton Manufacturers (MCM), em Marracuene, nos arredores de Maputo.

A empresa, que conta com 185 colaboradores diretos, dos quais cerca de uma dezena são portugueses, nasceu no local onde antes funcionou a têxtil Riopele, encerrada há vários anos.

Maioritariamente de capitais portugueses, das empresas Mundotêxtil, Mundifios e Crispim Abreu (85% repartidos em partes iguais), a MCM tem ainda na sua estrutura acionista a moçambicana Intelec Holdings (15%), liderada pelo empresário Salimo Abdula.

Apesar do calor que se fazia sentir no interior da fábrica, ainda mais ‘sufocante' do que no exterior, o Presidente da República percorreu a fábrica, parando para trocar algumas palavras com os trabalhadores da unidade de transformação do algodão caroço em fio.