A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, considerou esta sexta-feira “bizarro e absurdo” que a Comissão Europeia queira aplicar sanções sobre a sua própria política.

A Comissão Europeia parece reconhecer que o pecado foram as políticas de austeridade, uma vez que quer sanções sobre os resultados da política que a própria Comissão Europeia implementou, juntamente com o Governo PSD/CDS-PP no nosso país, portanto, estão a querer fazer sanções sobre a sua própria política, o que já de si é bizarro”, afirmou na ação “Siderurgia Sim, Poluição Não”, na Maia, distrito do Porto.

Catarina Martins frisou que uma política que se quer punir a si própria por dar maus resultados é uma política falhada e que alguém que tente, com sanções, obrigar um país a voltar a uma política falhada é algo de “verdadeiramente inaceitável”.

O discurso sobre sanções deve “acima de tudo” chamar à atenção para quão assimétrico e disfuncional é a construção europeia, defendeu.

Mais do que debater sanções que não têm nenhum sentido é necessário discutir esta construção europeia que provoca este absurdo da Comissão Europeia querer punir um país por ter feito as políticas que a Comissão Europeia quis”, sustentou a bloquista.

E realçou: “A Comissão Europeia veio dizer que há países que devem ser punidos e outros não nas mesmas condições de incumprimento dos mesmos tratados, por isso, quando os tratados são absurdos mais do que discutir sanções é preciso discutir tratados”.

A porta-voz do BE sublinhou ainda que esta situação acontece num momento europeu particular com a realização de um referendo na Grã-Bretanha sobre a saída ou não da União Europeia e com eleições em Espanha.

Na sua opinião, isto é também uma tentativa de condicionamento político do processo eleitoral nesses países, algo que classificou de “inaceitável”.

A 18 de maio passado, a Comissão Europeia decidiu adiar para julho uma decisão sobre eventuais sanções a Portugal e Espanha no quadro dos Procedimentos por Défice Excessivo (PDE), admitindo que se tratava de uma decisão também política, que tinha em conta, entre outros aspetos, a realização de eleições em Espanha no corrente mês de junho.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, numa entrevista hoje publicada no jornal alemão Suddeutsche Zeitung criticou Juncker pelas posições sobre o Pacto de Estabilidade, apelando para que o défice da França seja sancionado.

O chefe do Eurogrupo alertou ainda para o “desleixo” da interpretação sobre o Pacto de Estabilidade e Crescimento, referiu-se à "indulgência” em relação aos “pecadores do défice” e afirmou que a Comissão Europeia seria “mais inteligente” se prestasse mais atenção “à sua própria credibilidade”.

No princípio da semana, ao ser questionado sobre as medidas de exceção aplicadas ao Estado francês, Juncker disse “Porque é a França”, acrescentando que na sequência dos atentados terroristas registados em 2015, o país deve ser tratado de forma especial em relação ao défice devido às elevadas despesas em matéria de segurança.