O ex-presidente catalão Carles Puigdemont descartou hoje uma eventual renúncia ao seu mandato como deputado no parlamento da Catalunha e vincou a necessidade de mediação internacional para resolver o conflito em Espanha.

Após ter saído, na sexta-feira, sob fiança, da prisão de Neumünster (norte da Alemanha), Carles Puigdemont deu hoje uma conferência de imprensa na capital alemã, Berlim, onde vai fixar por agora a sua residência.

Na ocasião, sublinhou que “não precisa” de renunciar ao seu mandato como deputado porque tem os “seus direitos intactos”.

Ressalvando que não pretende interferir na política alemã, vincou que o conflito na Catalunha necessita de mediação internacional, com ajuda “de outro país, diferente de Espanha, ou de uma organização internacional”.

Mariano Rajoy diz que respeita as decisões judiciais alemãs

O primeiro-ministro espanhol afirmou, entretanto, que respeita todas as decisões judiciais, tanto espanholas como alemãs, e que não falou com Angela Merkel sobre a situação de Carles Puigdemont, libertado na sexta-feira de uma prisão na Alemanha.

As declarações de Mariano Rajoy surgem depois de o ex-presidente do Governo catalão Carles Puigdemont ter saído na sexta-feira da prisão alemã de Neumünster, após na quinta-feira a justiça daquele país ter decidido que poderia sair sob fiança.

Segundo a agência Efe, Mariano Rajoy, em declarações aos jornalistas em Sevilha, sublinhou que o Governo espanhol assumiu a responsabilidade de pôr em marcha o artigo 155 da Constituição para restabelecer "a legalidade" na Catalunha, referindo que, a partir de agora, é necessário que se forme um Governo, que necessita de um candidato viável e que cumpra a lei.

"O resto são decisões judiciais e sempre disse e reitero agora que as decisões judiciais são cumpridas e são acatadas", acrescentou o governante espanhol, vincando que tanto se aceitam as decisões de tribunais espanhóis como as que são adotadas noutros países.

Segundo a agência espanhola Efe, Mariano Rajoy recordou que tanto o Supremo Tribunal como a procuradoria-geral espanhola já disseram que estão a estudar a possibilidade de recorrer ao Tribunal Europeu.

O líder independentista catalão saiu da prisão pouco antes das 14:00 (13:00 em Lisboa), depois de mais de dez dias confinado na sequência de uma detenção pela polícia alemã em cumprimento de uma ordem europeia de detenção emitida pela justiça espanhola.

A justiça espanhola acusou Puigdemont de crimes de rebelião, sedição e peculato por este ter declarado unilateralmente a independência da Catalunha e organizado um referendo ilegal, a 01 de outubro de 2017, com o mesmo objetivo.