A economia portuguesa vai passar este ano a trabalhar com dois motores, graças ao crescimento do investimento, o que acontece pela primeira vez em vários anos, afirmou esta quinta-feira em Londres o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro.

Carlos Moedas disse hoje à margem de uma conferência para investidores, em Londres, sobre o futuro do país após o fim do programa de assistência financeira que este componente do Produto Interno Bruno (PIB) vai ser positivo este ano pela primeira vez desde o início da crise.

«Conseguimos relançar o motor das exportações, mas os outros motores - consumo público, consumo privado e investimento - foram negativos durante este período. O investimento está a voltar a arrancar, o que é positivo para o país e essencial para um crescimento sustentável», vincou Carlos Moedas,

O governante considera que esta evolução faz parte de uma «cadeia de eventos» que inclui o plano de reformas efetuadas no país e uma maior credibilidade no exterior, atraindo interesse de empresas estrangeiras no programa de privatizações.

«Não é considerado investimento direto estrangeiro, mas esse fenómeno levou outras empresas e países a interessarem-se por Portugal», enfatizou.

O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro falava à margem de uma conferência para investidores promovida em Londres pela sociedade de advogados Uría Menéndez - Proença de Carvalho (UM-PC) sob o título «Portugal: Desafios, oportunidades e expetativas para o período pós-troika».

No painel de oradores participou também António Vieira Monteiro, presidente executivo do Banco Santander Totta, que manifestou confiança na estabilidade do sistema financeiro português.

«Os bancos estão a ultrapassar a crise e o choque para entrar num novo período», garantiu.

Já Gonçalo Moura Martins, presidente executivo da Mota Engil, deu o exemplo da construtora como o de uma empresa que soube adaptar-se a um contexto de crise em Portugal marcado por falta de financiamento e redução de investimento público.

A resposta, afirmou, foi a internacionalização, procura de financiamento externo e mudança na estratégia da empresa na aposta de projetos com maior rentabilidade.

Invocou que a Mota Engil foi o único grande grupo português que não recorreu ao despedimento coletivo, o qual evitou ao expatriar funcionários.

Atualmente, a construtora tem mais de 1.500 trabalhadores em 21 países, sobretudo na Europa, América Latina e África, o que levou Moura Martins a afirmar ser o «maior empregador português no estrangeiro».