Qual é o seu poder?

A mais valia é a experiência adquirida na Europa como Comissário para a Justiça e Assuntos Internos. Conhecimentos e um poder de influência que os clientes pagam a peso de ouro. Mais do que um simples advogado, António Vitorino é uma espécie de negociador, um facilitador, uma porta de entrada na Europa para empresas e sociedades dos quatro cantos do mundo. Uma placa giratória de poderosos interesses económicos da Europa para o mundo e do mundo para a Europa. Pelo meio e com o regresso do PS ao Governo, vai dando um ar de graça pela política. Foi ele que José Sócrates escolheu para ser o rosto da República, um grupo de reflexão socialista com o objetivo de pensar sobre políticas públicas tendo como horizonte as eleições de 2009. Mesmo fora da política ativa, Vitorino é um peso pesado dentro do partido, mas é também apreciado pela oposição. Em 2014, foi o convidado de honra da universidade de verão do PSD.

É rico?

O valor do património que acumulou ao longo dos anos não é conhecido, mas António Vitorino deve ter pago muitas sisas.

Que tipo de influência?

A influência que vai acumulando dá-lhe acento em várias empresas de topo. Só no ano passado, António Vitorino ocupava cargos em 12 empresas diferentes: Brisa, Siemens Portugal, Novabase SPGS, Finpro SPGS, entre outras. Foi também vogal não executivo do conselho de administração dos CTT, cargo que deixou já este ano para ser administrador não executivo no banco Santander Totta.

A sua influência é duradoura?

Discreto na vida e nos negócios, vê agora o PS regressar ao Governo e em particular o amigo e camarada António Costa, ascender a Primeiro-Ministro. Enquanto o Governo se mantiver socialista, mais longe poderá ir Vitorino.