O músico e artista plástico Manuel João Vieira apresentou este sábado a candidatura à Presidência da República, afirmando que a política e a arte deviam de estar mais unidas e que é preciso desconstruir “as frases absurdas da política”.

Em Lisboa, num barco no rio Tejo ao fim do dia, o músico apresentou pela quarta vez uma candidatura a Presidente, não tendo concretizado nenhuma das três anteriores. Hoje, aos jornalistas disse que avançará se conseguir as 7.500 assinaturas.

Se não conseguir irá formar o partido da abstenção, aquele que tem mais adesões e porque é preciso “trazer de novo essas pessoas para a democracia”, acrescentou, em tom sério mas carregado de ironia, com aliás todo o discurso de candidatura, descreve a Lusa.

Numa caravela que navegou de Alcântara ao Padrão dos Descobrimentos, céu limpo e temperatura amena ao pôr-do-sol, a apresentação da candidatura contou ainda com duas músicas cantadas pelo candidato, além do discurso, entre o sério e o absurdo, o irónico e o cómico.

Desde 2001 que o músico diz que se candidata mas nunca concretizou e agora, para as eleições presidenciais do próximo ano, deixa uma garantia: “Só desisto se for eleito”.

O que não o impede de investir no cenário, começando pela caravela e passando pela forma como se apresentou, calças vermelhas, camisa verde, cinto amarelo a imitar o centro da bandeira de Portugal, uma samarra e um boné também vermelho.

À chegada à embarcação recebe um ramo de flores das mãos de duas crianças vestidas de branco e passa depois ao discurso, criticas “à opressão e pouca vergonha da alta finança”, a confissão de que não tem qualquer programa, a ideia de que Portugal “não precisa dos políticos, que não passam de parasitas”.

“Sei que tenho sido cínico e ligeiramente absurdo em algumas promessas que tenho feito”, afirma a meio do discurso. E depois diz que se for eleito cada português terá um “Ferrari” e que mandará alcatifar todo o país.

“Não me interessa uma Europa madrasta, interessa-me uma Europa que seja ama-de-leite”, diz também, prometendo um grande futuro para Portugal: “Amanhã cantarão como galos de Barcelos loucos”.

Manuel João Vieira fala ainda do que diz ser falta de transparência do sistema político e judicial, desconversa sobre a situação política atual, faz a apologia do vinho, do bagaço, do sexo e da alimentação irracional, e chama “a República”, uma mulher que entra então no barco enrolada numa bandeira de Portugal.

“Portugueses, portuguesas e pessoas que passam o tempo a olhar para os telemóveis: proponho um novo contrato, que não prenda ninguém a nada a não ser à sua honra”. É tudo dito com ar sério, como também as palavras de ordem finais: “Vota Vieira, o resto é lixeira”. Vieira embala nesta parte e entoa dezenas de palavras acabadas em “eira”. No barco bate-se palmas, bebe-se espumante, há até quem agite bandeirinhas.

E Vieira continua, que os corruptos deviam de ir para aldeias abandonadas no interior, que devia de haver igualdade para todos, incluído os criminosos, porque os maiores nunca são presos.

De tudo fala, às vezes de forma séria, quando diz, por exemplo, aos jornalistas: “Os donos disto tudo agora já nem são nacionais, passam pela China, por Angola”.

Nota-se-lhe a crítica além do “nonsense” e fica-se com a ideia de que pouco lhe importa se consegue ou não as assinaturas (tem 3.500 mas não validadas) para se candidatar. Antes já tinha dito que “o que é importante é que se sacrifiquem vacas ao candidato Vieira”.