Nas vozes e guitarras carregam o som do Brasil, mas é em Lisboa que Cícero, MoMo e Wado vão, pela primeira vez, subir a palco juntos, no sábado, durante o festival Vodafone Mexefest. O concerto sob o título Brasil d'Agora traz-nos três músicos que abordam a música popular brasileira de forma alternativa, sem tentarem seguir o caminho do estrelato.

«É uma geração que grava as coisas em casa e que tem uma preocupação maior com o trabalho mesmo. Não que ninguém não queira ganhar dinheiro e pagar as suas contas, mas é um desdobramento do [lado] artístico», contou, ao tvi24.pt, MoMo (Marcelo Frota), um dos músicos que representam uma nova maneira de fazer música no Brasil, «independentemente de ter dinheiro, editora ou empresário».

Aliás, empresário é coisa que nenhum destes três músicos tem. Wado (Oswaldo Schlikmann Filho) tem oito discos editados a solo desde 2001 e afirma que, ainda hoje, se ligarem para o número de telefone nos contactos do seu site, é ele que atende a chamada.

«Não somos famosos nem ricos, mas a gente está vindo para Portugal fazer uma graça. Isso é possível, graças a pormos os nossos discos na Internet (...). O Wado já tem uma carreira muito sólida sem precisar de seguir a cartilha de ficar famoso», explicou Cícero Rosa Lins.

Marcelo Camelo é um dos pontos de ligação entre os três, tal como Fred Ferreira, baterista dos Orelha Negra e dos Buraka Som Sistema, que, para além de juntar Cícero, MoMo e Wado para este concerto, vai também ser um dos músicos portugueses neste encontro luso-brasileiro.

«O chão da música que a gente vai fazer aqui, mesmo que toquemos um samba ou uma melancolia brasileira, está a ser tocado por músicos portugueses. (...) Enquanto espetáculo, é muito bom pensar que eu saí do nordeste do Brasil, eles saíram do sudeste, e viemos para cá e encontramos músicos de Lisboa, e há esse diálogo de apresentar um projeto aqui. Isso é uma experiência de vida», assegurou Wado.

Depois de Cícero e MoMo terem participado no mais recente disco de Wado, o concerto deste sábado em Lisboa poderá vir a repetir-se noutros palcos ou até em estúdio.

«Eu acho natural que haja esses outros desdobramentos e concertos, mas, de momento, estamos a aproveitar para celebrar uma amizade bonita, uma admiração mútua», disse MoMo.

Porque, afinal, «o único jeito de fazer música é com amigos». «Se for para fazer dinheiro mesmo, tens de ir para a bolsa de valores», brincou Wado.

Música feita sem pretenciosismos e partilhada entre amigos neste Brasil d'Agora, uma das muitas propostas do Vodafone Mexefest. Esta sexta-feira e sábado, o festival volta a invadir a Avenida da Liberdade e arredores com concertos de nomes como Woodkid, Savages, The Legendary Tigerman, Gisela João e Daughter.

Vodafone Mexefest com dois dias de música, estreias e regressos