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O que precisa de saber sobre a psoríase

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Manifestando-se na pele, a psoríase é uma doença genética inflamatória crónica. Na sua origem pode estar a conjugação de várias causas, como explica Tiago Torres, dermatologista no Centro Hospitalar Universitário do Porto, referindo os fatores genéticos, imunológicos e ambientais. “Neste último caso, as infeções bacterianas, certos medicamentos, a obesidade, o stresse, entre outros, promovem o desenvolvimento da doença em doentes geneticamente predispostos”.

Para além de se manifestar visivelmente na pele, a psoríase pode levar ao desenvolvimento de problemas articulares (artrite psoriática), psicológicos (depressão e ansiedade) e cardiovasculares (diabetes, obesidade, hipertensão arterial e aterosclerose). “A artrite psoriática, que se desenvolve em cerca de 30% dos doentes, tem igualmente um grande impacto no prognóstico e na qualidade de vida destes doentes”, lembra o dermatologista Sousa Basto.

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Advogado em causa própria

 

António Silva tem 50 anos e é de Vila do Conde. Formado em Direito, foi diagnosticado com psoríase em placas e em gotas aos 22 anos. “Surgiu um pequeno ponto escuro no tornozelo direito. Pensei até que fosse uma picada de inseto”. Mas não era. Assim como a caspa, de que se queixava há muito tempo, também fazia parte do mesmo quadro clínico.

“O médico identificou logo e disse-me que tinha psoríase”. Na altura, não teve noção do que poderia implicar a doença e julgou que os sintomas iriam permanecer os mesmos para o resto da vida. No entanto, não demorou muito tempo até a doença tomar conta do corpo todo, o que levou António a entrar numa espiral depressiva.

“Cheguei a ter acompanhamento psicológico e psiquiátrico porque a doença alimenta-se a ela própria e parece que se agarra ainda mais a nós quando não estamos bem”. Hoje pratica atividade física sempre que consegue e esforça-se por fazer uma alimentação saudável, pois sabe que são poderosos auxiliares da medicação com imunossupressores que faz a cada 90 dias. “No verão, quando passeio na praia e apanho sol, é quando me sinto melhor”.

Depois de quase 30 anos a lidar com a doença, acredita que, quanto mais se falar nela, melhor é para todos. “Sinto-me na obrigação de fazer parte de um movimento de esclarecimento de dúvidas da população e de ajudar outros doentes”. Para as pessoas que possam desconfiar que têm a doença deixa um alerta: “Procurem ajuda médica especializada e sigam o tratamento à risca!” António Silva sabe que é possível ganhar à doença, mesmo que ela não desapareça para sempre.

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“Despir a nossa pele”

 

Há alturas em que a vontade de Helena Carvalhais é despir a própria pele. “Não vestimos o que queremos, não nos sentimos bem com nada, ou melhor, não nos sentimos bem, ponto final”. Em criança tinha caspa – ou assim se pensava – e as unhas muito quebradiças. Mas foi com a chegada do primeiro filho que a doença piorou. “Foi um susto! Tinha o corpo todo coberto de placas”. Natural de uma terra pequena, houve quem até se lembrasse de que aquela era uma região de leprosos. “Na praia, cheguei a ouvir uma mãe a dizer ao filho para que não se aproximasse de mim”. É por isso que quer dar o seu testemunho. “Quanto mais informadas as pessoas estiverem, menos apontam o dedo”.

É casada e tem dois filhos mas, por vezes, a sua baixa autoestima faz danos na relação familiar: “Quando as lesões são mais visíveis, não nos sentimos muito atraentes e isso traz problemas à vida do casal”. Em nenhum dos filhos – de 10 e 19 anos – a doença se manifestou, mas há no seu caso um fator hereditário: uma prima sul-africana que também tem a doença.

A prima não segue nenhum tratamento mas Helena Carvalhais, depois de alguns anos a tentar terapias diversas, faz hoje injeções de agentes biológicos de 15 em 15 dias. Sente que devia fazer mais exercício, mas nem sempre tem disponibilidade: “Já pratiquei desporto e essa foi a altura com menos manifestações da doença: não tinha lesões e sentia-me muito bem”. De qualquer forma, para quem já chegou a ter 80% do corpo coberto de placas, estar neste momento com uma pequena lesão circunscrita na cabeça é uma melhoria extraordinária.

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Psoríase: mitos a combater

Apesar da informação disponível há ainda muitos preconceitos relativos à doença.

  1. É contagiosa

A psoríase não contagia sob nenhuma forma. É uma doença crónica da pele, de natureza autoimune, em que o normal ciclo de crescimento das células da pele está acelerado.

  1. É causada por má higiene

Pode ser desencadeada por um acontecimento stressante, uma amigdalite, a utilização de alguns medicamentos, um corte na pele, uma queimadura solar ou devido ao tempo frio e seco. Ou seja, parece depender da existência de uma predisposição genética associada a um estímulo externo, pelo que não tem qualquer relação com a higiene pessoal.

  1. É apenas uma doença de pele

A pele é a face mais visível da doença, mas está associada a outras patologias como a diabetes, doença cardíaca e depressão. Cerca de 10% dos doentes desenvolve ainda artrite psoriática, que causa dor e deformação das articulações das mãos, pés, membros ou coluna.

  1. As lesões são passageiras e passam sem tratamento

As lesões não passam sem um tratamento direcionado para a sua extensão (regiões do corpo onde está disseminada) e sintomas (dor, comichão).

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Como se trata a psoríase

Se é verdade que não existe ainda uma cura para a doença, os tratamentos existentes permitem controlar os sintomas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dos doentes. Entre as soluções possíveis encontram-se as loções, cremes ou pomadas; os corticosteroides tópicos; análogos da vitamina D; alcatrão e ditranol. Mas também a helioterapia (exposição à luz solar), a fototerapia (exposição a fontes artificiais de luz ultravioleta), ou medicamentos como os retinoides, metotrexato e ciclosporina.

 

Paulo Ferreira, dermatologista e consultor da Associação Portuguesa de Psoríase (PSO), refere, no entanto, que a maioria destes medicamentos apresenta níveis baixos de tolerância, possíveis interações com outros medicamentos e níveis tóxicos. Estes fatores dificultam o tratamento e o controlo da doença a longo prazo e obrigam mesmo a períodos de pausa ou à alternância da terapia. Talvez por isso mesmo têm uma taxa alta de abandono.

Tiago Torres, dermatologista no Centro Hospitalar Universitário do Porto, lembra que, “recentemente, foram desenvolvidas novas terapêuticas, chamadas de agentes biológicos, que atuam seletivamente em pontos muito específicos da fisiopatologia da psoríase”. Como são mais dispendiosas, obrigam a uma seleção criteriosa dos pacientes que podem ter acesso a estas terapêuticas. “A médio prazo, quando os laboratórios perderem as patentes e surgirem medicamentos semelhantes, esta terapia poderá tornar-se mais acessível”, acredita, por seu lado, Paulo Ferreira.

O dermatologista Sousa Basto sabe bem o que significa ter acesso a esta medicação quando ouve dos seus pacientes: ‘O doutor nem sabe a diferença que isto faz. Devolveu-me a vida.’

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