O accionista da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) Almiro Silva afirmou esta quinta-feira que teve conhecimento do «buraco» financeiro do Banco Insular «numa conversa de café» com o antigo quadro da SLN, António Franco, que não deu mais explicações.

«A única pessoa que falou comigo foi o Doutor António Franco, numa conversa de café, não oficial. O que me disse é que havia um défice num banco e que o grupo é que era responsável. Vim a saber que era o Banco Insular» afirmou Almiro Silva, aos deputados da Comissão de Inquérito à Nacionalização do BPN e supervisão inerente.

O accionista disse que na altura ficou «preocupado mas convencido que [o problema] era ultrapassável», explicando que tinha conhecimento da existência do banco desde 2004 e que não sabia como este «funcionava», acrescentando que «António Franco nunca reuniu com os accionistas para explicar» esta questão.

Oliveira e Costa está doente na prisão

Só em 2007 «soubemos que as coisas não estavam bem»

Almiro Silva afirmou ainda que uma das suas empresas tem conta no Banco Insular desde 2004 e que contraiu um empréstimo com este banco, tendo para tal conctactado apenas com o ex-presidente da SLN José Oliveira e Costa e com António Franco.

«Foi tudo através do Doutor Oliveira e Costa, não falei com ninguém de Cabo Verde», afirmou o accionista, sublinhando que assinou «um contrato igual aos nacionais, de credor/devedor» mas que desconhecia quem o havia rubricado pela parte do banco e não respondendo quanto às garantias dadas para obter o empréstimo.

Questionado pelo deputado do CDS-PP, Nuno Melo, sobre porque não havia sido dado conhecimento ao Banco de Portugal mais cedo dos problemas do Banco Insular, o accionista recusou a responsabilidade e afirmou não ter «elementos» para o fazer.