Um antigo quadro da Planfin, do universo da empresa dona do Banco Português de Negócios (BPN) até à nacionalização, afirmou esta terça-feira que do Banco Insular apenas conhece o nome e que a sociedade fazia sobretudo serviços administrativos.

«Nunca ordenei qualquer transferência para o Banco Insular, nem podia fazê-lo. É completamente falso. Do Banco Insular apenas conheço o nome», afirmou Leonel Mateus na comissão de inquérito parlamentar à situação que levou à nacionalização do BPN.

Leonel Mateus, que deixou em 2005 a Planfin, Serviço de Planeamento Financeiro, desmentiu assim o que foi dito em audição anterior pelo antigo administrador do banco e do grupo SLN, João Carvalho das Neves que se referiu a empresa como responsável pela criação, planeamento e arquitectura das «offshores» da SLN e BPN.

Na Plafin, garantiu a testemunha hoje ouvida na Comissão Parlamentar, «prestava contas na área não financeira do grupo» e «assessoria administrativa e contabilística ao conselho da SLN e a empresas não financeiras do grupo».

«Nunca constituí off-shore nenhuma, constituiu sim muitas sociedades portuguesas que integram o grupo de diferentes áreas de negócio», assegurou o antigo quadro da Plafin, onde trabalhou entre 2002 e 2005.

Além disso, a actividade principal era a nível administrativo, na contabilidade das empresas não financeiras, incluindo dos sectores do turismo, imobiliário e outros.

Quanto a realizar ordens de transferências, além de assegurar que nunca fez qualquer transferência para o Banco Insular, afirmou que «quem dá ordens de transferências são titulares de contas» e que não era o seu caso, que neste campo fazia apenas «processamento de vencimentos das pessoas e debitava-o na integra á SLN, para quem as pessoas trabalhavam na realidade».

Questionado sobre o seu envolvimento nas investigações que correm, declarou que não esteve apenas «na qualidade de testemunha» no Banco de Portugal e da Procuradoria Geral da República.